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quarta-feira, 31 de março de 2010

domingo, 17 de maio de 2009

TURISMO CULTURAL DE SÍLVIA MATOS. ELA DESCOBRIU ALEX VALLAURI EM CUNHA.


Os Acrobatas na sala de estar da Pousada dos Anjos.

A Rainha do Frango Assado

A Rainha do Frango Assado na sala de jantar.
Fotos de Sílvia Matos

Turismo Cultural
Sílvia Matos

Fui viajar para fugir de tudo, casa, arte, projetos e escolhi (praticamente sem querer) uma pousada em Cunha que era só arte. Adorei e acabei conseguindo material para o nosso blog.




Ao escolher pousadas em Cunha, uma, em particular, me chamou a atenção, por ter como símbolo Os Acrobatas do Alex Vallauri. (em 1985 foi a primeira vez que vi uma Bienal de São Paulo e me impressionou muito a instalação do AlexVallauri - A Rainha do Frango Assado - a qual nunca esqueci). Assim optei pela Pousada dos Anjos, pelas fotos do lugar e pelo símbolo que me intrigou. De acordo com o dono, Marco Santilli (escreverei sobre ele mais tarde), que era amigo do Vallauri, ele conseguiu permissão da mãe do artista para usar esse símbolo. Na sala de estar tem uma cópia da gravura Os Acrobatas e na sala de jantar a obra com a bota preta de salto fino da Rainha do Frango Assado. A Pousada é toda decorada com obras de arte e tem até uma cópia de uma escultura do Calder. Mas no momento vou escrever sobre Alex Vallauri porque, apesar dele já ter morrido em 1987, a arte da qual ele foi precursor, está sendo expandida pelos coletivos e grafiteiros.




Alex Vallauri (Asmara / Etiópia, 1949 - São Paulo, 27 de março de 1987),grafiteiro, artista gráfico, pintor, desenhista, cenógrafo e gravador. Mesmotendo nascido no continente africano sua nacionalidade era i italiana.




Veio para o Brasil com a família no ano de 1965. Formado em ComunicaçãoVisual pela Fundação Armando Álvares Penteado (instituição em que alguns anos mais tarde ministrou desenho), se especializou em Artes Gráficas no Litho Art Center na Suécia. Estudou desenho no Billy Accioli na Inglaterra e freqüentou o Pratt Institute nos Estados Unidos (estudando Artes Gráficas efazendo grafites nos muros da cidade).




Pioneiro na arte do grafite no Brasil, Alex usou outros suportes além dos muros urbanos; estampou camisetas, bottons e adesivos. Para ele, o grafite era a forma de comunicação que mais se aproximava do seu ideário de arte para todos. As imagens apresentadas em seus trabalhos eram de simples e rápido entendimento, pois ele acreditava que uma vez expostas em meio ao caos da cidade, as imagens deveriam ser de imediata compreensão.




No final dos anos 70, o grafite de uma bota preta, de salto fino e cano longo, foi um dos trabalhos do artista - produzido e inserido na paisagem urbana - no anonimato. Na mesma época, enviou para artistas e amigos uma seqüência de postais manufaturados que consistiam em cópias de cartões postais, contendo edifícios históricos da cidade, com a intervenção do carimbo da bota preta sobreposto aos arranha-céus e com frases sobre a invasão da bota na cidade. Essa série , A Rainha do Frango Assado, foi também tema da instalação apresentada na 18ª Bienal de São Paulo, em 1985 (toda registrada pelo fotógrafo Marco Santilli).




Em 1998, foi realizada uma retrospectiva de sua obra - Viva Vallauri, no Museu da Imagem e do Som - MIS, São Paulo ( na ocasião, o diretor dessa instituição era Marco Santilli).(informações sobre o artista tiradas do Google)




segunda-feira, 30 de março de 2009

O GRAFITE VIROU 'NOVA ARTE PÚBLICA' NO DIA 27 DE MARÇO, DIA DO GRAFITE

Grafites espalhados pela cidade de São Paulo. Foto: Thais Caramico /AE

A foto acima e o texto abaixo apareceram na internet no dia do grafite, 27 de março. Curioso que, ao ser aceito como Arte, o grafite tenha mudado de nome... Agora é a "nova arte pública". Parte do sistema da Arte.

Quando será que isto vai acontecer à pichação?

Lalau Mayrink



Grafite muda de nome e vira 'nova arte pública'
No Dia do Grafite, arte que ocupa muros de cidades ganha novo nome e os grafiteiros viram 'artistas públicos'
Thais Caramico, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Aqueles desenhos coloridos que volta e meia aparecem no muro de alguma rua cinzenta da cidade - para deixá-la (geralmente) mais interessante - não se chamam mais ‘grafite’. Seu nome agora é ‘nova arte pública’. Não quer dizer que os grafiteiros passaram a sair por aí dizendo que são ‘novos artistas públicos’, é verdade. Mas esse foi o jeito que a turma da arte achou para se referir a um conjunto de trabalhos que incorpora técnicas variadas, tem estilo apurado e se relaciona tanto com o passado do grafite quanto com a pintura tradicional.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

UM CONVITE PARA ARTE NA RUA EM NITERÓI

clique para ampliar
Este convite chegou agora no e-mail do Antropoantro.
Mas é preciso convite para se ver Arte na Rua? Claro que, para quem vive em Campinas, é bom saber que há Arte na Rua em Icaraí, Niterói. Porém...
Um convite formal, com data, horário de abertura e nomes dos expositores não deturpa o que deveria ser o sentido da Arte na Rua? Algo aberto ao público, até certo ponto anônimo (porque os artistas costumam assinar suas obras de vez em quando mas nem sempre), não submetido às convenções que "regem" as artes? A rua transformada numa grande galeria de arte, num museu de arte com curadoria, apoios de peso (no caso, a pós-graduação) não tira o sentido original da Arte na Rua?
A arte na rua surgiu da luta de artistas anônimos, sem lugar nas instituições e mercados de arte, para mostrar seu trabalho. Se institucionalizam a rua, isto implicaria que daqui para a frente alguns serão banidos também deste espaço democrático? Não serão mais aceitos nem como "artistas da rua" (o que já acontece com os pichadores, né?)...
São só dúvidas de uma ântropa que tenta entender o que é ou não é arte...
Lalau Mayrink

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ARTE DE RUA LÁ NA ALEMANHA, DOCUMENTADA POR CAIO E ANA BARINI

Novas imagens e informações dos nossos colaboradores Caio e Ana Barini sobre a arte de rua vista na Alemanha.



Contexto do squat (local abandonado que é ocupado por um grupo, pra fazer uma vida alternativa...), um dos mais antigos de Berlim, veja o grafite no fundo à esquerda...
Olhai! É um anúncio da Nike!!!!

O mesmo squat...

Fotos de Caio Barini e Texto de Ana Barini

E, para contrapor, uma foto publicada ontem, na internet (G1), do tratamento dado a pichadores lá na Bahia, Brasil...


"Duas adolescentes foram flagradas por uma policial militar enquanto pichavam a entrada de uma distribuidora de alimentos do governo em Barreiras (BA). Segundo a polícia, as meninas foram obrigadas pela policial a lavarem o que haviam escrito. Elas teriam riscado, com um pedaço de carvão, ofensas contra a policial, que trabalha no local. De acordo com policiais do 10º Batalhão da Polícia Militar (PM), uma das adolescentes portava uma faca. As menores foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. Segundo a PM, os policiais envolvidos foram afastados de suas atividades e responderão a processo administrativo disciplinar (Foto: Luiz Tito/Ag. A Tarde/Futura Press)"




segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

MURAL DE GRAFITE NO ANIVERSÁRIO DA CAPITAL PAULISTA

foto Tiago Queiroz/AE

foto Marina Morena Costa/IG

foto Marina Morena Costa/IG

foto Marina Morena Costa/IG


Ontem, no dia do seu aniversário de 455 anos, São Paulo ganhou um mural de grafite com cerca de mil metros quadrados na Avenida 23 de Maio, sob o Viaduto Tutóia. O painel, todo em preto e branco, retrata cenas da década de 20. Seu autor é o grafiteiro Eduardo Kobra. Pelas fotos, o mural deve ser realmente muito bonito.
A prefeitura de São Paulo anda cadastrando locais para receber grafites.
Enquanto isso, os pichadores continuam na ilegalidade...


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

MUSEU DO VAZIO - A PROPÓSITO DE GRAFITE E PICHAÇÃO

Em outubro, Beth Schneider mandou as três primeiras fotos abaixo, feitas por ela no Santander Cultural de Porto Alegre. Ela não se lembrou do nome do autor do grafite, que ocupava as paredes do local dedicado à cultura e às artes. O grafite, como sabemos, é atualmente aceito como arte e tem sido acolhido por instituições como museus e galerias de arte de todo o mundo.




A foto abaixo tem aparecido em jornais impressos e na internet. Foi tirada durante o início da 28ª Bienal de São Paulo - "em vivo contato" ou, como também ficou conhecida, "a bienal do vazio" - na ocasião em que foi invadida por um bando de jovens pichadores que, "em vivo contato", picharam as paredes deixadas em branco no espaço vazio.
Boletim de ocorrência, uma pichadora presa em "flagrante" por "danificar o patrimônio público".
Os pichadores reivindicam o estatuto de "arte" para o que fazem. Os grafiteiros já passaram por isto. Eles também eram "fora da lei", não faz tanto tempo assim. Grafite já foi considerado "ato de vandalismo", agora comparece como convidado até na fachada da Tate.
A moça continua presa. A polêmica está reinstalada. Pichação é ou não é arte?

Lalau Mayrink


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

INTERVALO NO MUSEU DO VAZIO PARA EXPOSIÇÃO D'OS GÊMEOS NO MUSEU OSCAR NIEMEYER DE CURITIBA






Grafite no museu. Fui ontem no Museu Oscar Niemeyer e encontrei uma exposição d’Os Gêmeos. As duas últimas fotos foram tiradas dentro do cubo com a cabeça pintada.

Beth Schneider

domingo, 20 de julho de 2008

Pichação é arte ou vandalismo?

osgemeos - gigante na fachada da Tate

pichação - numa fachada qualquer

No dia 18 de julho, uma manchete na Folha on Line chamou a atenção das ântropas: Escola expulsa aluno que vandalizou prédio para discutir arte.

A notícia conta que o rapaz comandou uma ação em que jovens, alguns mascarados, pintaram a fachada e outras dependências da escola de Artes com "letras pontudas de difícil decifração que caracterizam a pichação paulista"!

A ação aconteceu de noite, os rapazes esconderam as latas de spray debaixo das roupas como fazem os autênticos pichadores e houve troca de socos e pontapés com seguranças e prisão pela PM que foi chamada ao local. O rapaz considerava a ação como seu trabalho de conclusão do curso, mas a professora da matéria e a direção da escola consideraram a ação como um ato de vandalismo e o rapaz acabou expulso às vésperas da formatura.

Isto traz de volta a velha questão: o que é arte, o que não é.

O grafite já é considerado arte. A Tate, inclusive, já convidou grafiteiros para expor seu trabalho em sua fachada.

Mas a Tate ainda não convidou pichadores para expor lá as pichações.

Grafite é arte. Pichação é adrenalina, é vandalismo, é proibido...

Grafite também já foi, agora é permitido, é bonito, é expressão artística...

Grafite é desenho.

Pichação não é.

Não é mesmo? Por que? Se letras são desenhos, vieram de desenhos (basta saber um pouco da história da escrita).
Algum dia a pichação será considerada arte?
A respeito desta polêmica, segue um texto de Olívia Niemeyer, que discute a questão da oposição ARTE/NÃO-ARTE:
ARTE/NÃO-ARTE
Olívia Niemeyer
Nunca vamos conseguir resolver a oposição arte/não-arte. Não podemos dispensá-la nem aceitá-la como ponto pacífico, como verdade absoluta, sem discutir seus limites de todas as formas que soubermos.
Herdamos dos gregos a possibilidade de organizar nosso pensamento a partir de oposições, confiamos na possibilidade de estabelecer limites bem demarcados entre dois termos opostos e de considerar que um dos termos é inferior, ou secundário, ou complementar do outro. Segundo Jacques Derrida, pensamos a partir de dicotomias hierarquizadas. E isso é válido também para a questão artística.

As dicotomias na história da arte segundo Gombrich

Para Gombrich (teórico que inspirou Thomas Kuhn, o autor que fala de ‘mudança de paradigma’, citado por Romano Affonso de Sant´Anna no texto que você enviou), a preocupação normativa com rótulos e classificações levou à criação de várias dicotomias (uma “proliferação de polaridades”) ao longo da história da arte. Ele cita: sublime e belo, ingênuo e sentimental, ótico e háptico, aditivo e divisório, fisioplástico e ideoplástico, linear e pictórico, forma fechada e aberta, clareza e obscuridade, multiplicidade e unidade. E, naturalmente, podemos acrescentar arte e não-arte, a preocupação maior de artistas, críticos, teóricos e apreciadores de arte. Podemos também observar que o grande número de polaridades já aponta para uma diversidade impossível de ser contida dentro, justamente... de polaridades.

Essa proliferação de dicotomias ao longo da história da arte (e em todos os campos do pensamento ocidental) não é inútil e, assim como rótulos e classificações, contribuem para organizar nosso saber e continuam sendo pertinentes para explicitar e comunicar um conhecimento, sobretudo depois que reconhecemos seus limites e os pressupostos que lhes servem de base.

A questão então é examinar quais os pressupostos atuais que nos servem de paradigma para podermos dizer o que ‘é’ arte e o que ‘não é’. Qual arte é, atualmente, considerada séria (a que está nos museus e galerias?) e qual é a não/séria? (a do grafiteiro? A do aluno que foi expulso da faculdade?). Qual arte está, atualmente, dentro do campo artístico e qual está fora? Como sabemos que ultrapassamos esse limite (não demarcado) entre arte/não-arte. Para mim, é claro, o filósofo que melhor examina os limites e os pressupostos das dicotomias é o Jacques Derrida.

A questão do limite

O limite marca um espaço em volta de um território geopolítico, de uma obra de arte, de um texto, determina o lugar onde uma coisa termina e a outra começa. A história da arte sempre se ocupou em examinar e justificar suas fronteiras, traçando-as repetidas vezes e de diferentes maneiras. Concebeu, estabeleceu e.... transgrediu esses limites, transportando o que era visto como ‘fora’ do campo da arte para ‘dentro’ de seus limites. Duchamp consegue isso, ao colocar a roda de bicicleta ‘dentro’ de um museu.

A auto-imunidade segundo Derrida.

Podemos apreciar melhor a questão da apropriação ou transbordamento entre limites pela noção de auto-imunidade na forma que é desenvolvida por Derrida em seus últimos textos (como Voyous
[1], e na entrevista “Auto-imunidade: suicídios reais e simbólicos”[2]).
Numa longa nota de rodapé Derrida tenta explicar o uso desse termo retirado da biologia e articulado, por ele, à religião, à ciência, à democracia. E que eu gostaria de aproveitar para pensar a arte contemporânea.
O sistema imunológico protege nosso organismo contra agressões externas, cria fronteiras para nos defender contra o que não faz parte do nosso corpo, contra o que está ‘fora’, como vírus e bactérias. Mas, ao mesmo tempo, precisa abrir suas fronteiras, por um processo de auto-imunização, para o estrangeiro, para a aceitação do outro, aceitação de algo que não é propriamente seu, por exemplo, um órgão transplantado, um enxerto. A auto-imunidade é vista, portanto, não somente como ameaça, mas também como a possibilidade de sobre-vida do corpo, da democracia, do texto.
O que é conceituado como arte em determinada época deve permanecer atento às suas fronteiras (não pode aceitar um ‘vale tudo’, não pode se deixar contaminar pelo que está ‘fora’), mas não pode deixar de se abrir para o outro, para as novas formas do fazer artístico.
O paradoxo de ter de se situar dentro do que os críticos consideram arte e a necessidade (para a sobrevivência dessa própria arte) de aceitar o que está ‘fora’ gera, certamente, um desencorajamento no artista, e naqueles que apreciam arte. Mas essa é uma provação necessária. Arte não é feita por meio de um projeto tranqüilizador, sem aporias, sem contradições, sem a indecisão que gera decisões corajosas e responsáveis. Para Derrida, não há decisão nem responsabilidade sem a prova da aporia ou da indecidibilidade.
O artista, ao fazer sua obra, assume um risco, sem garantias e sem proteção, consciente da possibilidade do seu trabalho não ser aceito como ‘arte’, de não ser séria, de estar oferecendo somente uma ilusão, uma fraude ao seu espectador.
Não podemos deixar de acrescentar que nem todos nossos projetos artísticos se equivalem, há aqui uma questão de limite, de fronteira entre erros e acertos... com toda a riqueza problemática do limite, com toda sua economia e estratégia, como está sendo discutido aqui. Muitas vezes, o limite do erro só é visto depois de transposto, na observação do outro (de um crítico, por exemplo) ou na sua própria crítica depois de um certo tempo, de um certo afastamento, quando a própria obra é examinada como se fosse a obra do outro.

[1] Derrida, J. (2003). Voyous. Paris : Editions Galilée.
[2] Borradori, G (2004). ‘Auto-imunidade: suicídios reais e simbólicos’, em Filosofia em tempo de terror - diálogos com Jürgen Habermas e Jacques Derrida (tradução de Philosophy in a time of terror por Roberto Muggiati). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. (N.da T.).




sexta-feira, 23 de maio de 2008

(IN)VEJA DE ÂNTROPA... O GRUPO ANTROPOANTRO QUERIA TAMBÉM PINTAR AS PAREDES DA TATE MODERN...


Dupla de grafiteiros OsGemeos apresenta ‘gigante’ em Londres
Personagem dos irmãos tem 20 metros de altura e foi feito diretamente na parede.
Brasileiro Nunca também foi convidado para grafitar a fachada da Tate Modern.

(manchete de ontem na globo.com)

Segundo a reportagem " A ação faz parte da mostra Street Art, que abre nesta sexta (23), levando pela primeira vez esse tipo de manifestação artística ao museu - considerado um dos mais importantes da Europa."

Que inveja!

O Grupo Antropoantro também queria estar lá, nem que fosse só prá ver de pertinho...