quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

cubo branco-mais um

Lalau Mayrink

Mafagafos ao Cubo. Pequenos retângulos e quadrados de papel desenhados cuidadosamente com caneta esferográfica, alternando vermelho, azul e preto. Insetos e animais estranhos, imagens sem referentes, frases indecifráveis e pequenas esferas compõem um universo agrupado sem rigor obsessivo, figuras insólitas costuradas pelo vermelho vivo que aparece nos entremeios.
Partindo de um processo de aparente simplicidade - “ócio criativo” poderíamos pensar - Lalau Mayrink explora a força da acumulação de mais de 2000 desenhos. É impossível nos contentarmos com uma contemplação passiva, é preciso entrar no jogo, deixar o olhar correr levemente sobre os papéis, aproximar-se ao acaso, explorar detalhes, investir na criação de significados com elementos díspares: um estado de espírito. A leveza dos desenhos é reforçada pelo ritmo instável criado pela sucessão de espaços vazios e cheios.
Inesperadamente, apesar do trabalho de Lalau se inserir vigorosamente na contemporaneidade, podem vir à memória as galerias e os museus de antigamente, onde as obras cobriam as paredes de alto a baixo, bem antes da invenção do “cubo branco”, conceito que motiva essa exposição do grupo Antropoantro.

Olívia Niemeyer

lalau mayrink

Mafagafos ao Cubo”

(da série “Mafagafos”)

Papel branco e caneta esferográfica

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