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domingo, 17 de maio de 2015

Anotações sobre os Pecados - Inês Fernandes


INÊS FERNANDEZ
Quando o Muito é Pouco
2015 (avareza)

 Técnica: Instalação

Material: tubos de PVC, conexões e moedas.

 “Para a nossa avareza, o muito é pouco,

para a nossa necessidade, o pouco é muito.” (Sêneca)



 
Postado por Sílvia Matos

terça-feira, 5 de maio de 2015

ANOTAÇÕES SOBRE OS PECADOS - VAIDADE


TINA GONÇALEZ

Vanitas Vanitatum et Omnia Vanitas

 2015  (vaidade)




Técnica: cinco fotografias plotadas em PVC
“Vaidade de vaidades, tudo é vaidade” (Eclesiates AT,1:2).

Visto como algo passageiro e frágil na sua condição temporal, a vaidade aponta para a ausência de sentido ou propósito na existência humana, deslocando a consciência de si mesmo para aparência e o hedonismo.

Presente nos mitos, literatura, psicologia e outros aspectos da cultura, a vaidade está presente na sociedade contemporânea como um reflexo que se firma através do olhar do outro para alcançar simultaneamente, a admiração e a inveja.

A autoimagem e o olhar formam o alicerce desse trabalho - sou aquele que se olha e ao mesmo tempo é olhado.

Como um selfie hipérbolico que se estende ao infinito, a modulação dessa autoimagem é construída como parte de um discurso metafórico que não se finda. Tal como o indivíduo que intencionalmente mascara sua personalidade não deixando que o interlocutor vislumbre seu verdadeiro eu, as imagens são construídas com um anteparo que interrompe a visão do todo, fragmentando-a em camadas circulares como pequenos lagos narcísicos.

Ampliando o sentido de autoafirmação, a vaidade é apresentada como parte de uma narrativa imagética que reafirma a importância do “eu” - ego, meī, mihi, mē, mē – frente a um mundo que acolhe e legitima o culto ao personalismo.
 
Postado por Sílvia Matos

 

domingo, 3 de maio de 2015

ANOTAÇÕES SOBRE OS PECADOS - GULA


 VANE BARINI

Gula

2014
Técnica: vídeo





Material: televisão

GULA

DESEJO INSACIÁVEL/ VORACIDADE / COBIÇA / AMBIÇÃO / AVIDEZ EXTREMA / EGOÍSMO / FOME / SOFREGUIDÃO / DESEJO ARDENTE / QUE CORRÓI / QUE DESTRÓI / QUE DEVORA.

 Postado por Sílvia Matos

segunda-feira, 27 de abril de 2015

ANOTAÇÕES SOBRE OS PECADOS - INVEJA


OLIVIA NIEMEYER
Inveja: Mais ou Menos Mira Schendel
2013-2015
Técnica: corte em laser sobre aço e acrílico
Material: placa de aço e placa de acrílico


Uma placa em aço, com letras recortadas a laser, 1,70 x 1,10m, imitando uma folha de Letraset. Uma placa em acrílico cristal, 1,70 x 1m, também com letras recortadas formando “enxame” e espaços vazios. As letras recortadas serão coladas sobrepostas à placa.

Nesse trabalho, o que me interessou foi, sobretudo, a utilização por Mira, em suas Monotipias, de cartelas de Letraset, um elemento industrial, banal, de fácil aquisição, que desmistifica a técnica, já que está ao alcance de qualquer um. O uso da Letraset foi o ponto de partida para meu trabalho: placas de aço e acrílico imitando essa cartela.

Retomo, invejosamente, o título de um trabalho de Mira, “Mais ou menos frutas” que, por sua vez, apropriou-se de “Mais ou menos paisagens”, título de uma séria pintada por Morandi. A inveja gerando relações de cumplicidade que partem de uma intenção objetiva (a cópia) e que encontram desvios ao longo do processo (as mudanças criativas). Uma relação ambígua ou a angústia da influência
                                                                                                    Olivia Niemeyer
Postado por Sílvia Matos

domingo, 26 de abril de 2015

ANOTAÇÕES SOBRE OS PECADOS - RAIVA


Sílvia Matos
Título: Por aqui não se passa sem que se sofra o calor do fogo
Técnica: Instalação de parede
Material: tinta acrílica sobre tela preta e lona acrílica preta
Tamanho: 400 cm x 300 cm

 A raiva ou ira tem vários graus de intensidade. A menos intensa, de acordo com a Bíblia Sagrada, naquele tempo, era até bem vinda, pois servia para admoestar os fiéis que cometiam pecados. Hoje em dia a raiva, segundo Leandro Karnal, pode até ser aceitável para permitir que o ser humano seja enérgico na disputa do dia a dia.

 Nessa pintura está representado o descontrole, o grau máximo da raiva. Dante Alighieri na sua obra A Divina Comédia, coloca a raiva no 5º Círculo do Inferno onde são castigados os irados e rancorosos. Lá fica Flégias o demônio que conduz o barco nas águas escuras, lamacentas e borbulhantes do Estige.


                                                                            SíLVIA MATOS

 
Postado por Sílvia Matos
 

 

 

 

 

sábado, 25 de abril de 2015

ANOTAÇÕES SOBRE OS PECADOS - LUXÚRIA


Luxúria (do latim luxuria) é uma emoção de intenso desejo pelo corpo.

Segundo a doutrina católica, é um dos sete pecados capitais e consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade.

Sapatos signos e simbolismo de cada cultura que ao longo do tempo será absorvida e assimilada pela sociedade.

A cultura e sociedade tem uma forma peculiar de representar os sapatos que transcende funções utilitárias para expressar status, fetiche, etc.

O par de sapatos é fotografado em diferente posições dentro de um caixa.

 O fetiche, aos olhos de Freud, relaciona-se à atribuição de poder a um objeto inanimado. Tal objeto teria a incumbência de simbolizar o corpo.

 

O meu olhar se prenderá aos teus sapatos. Amo-os como amo a tí (...). Aspiro o seu perfume, o seu aroma de verbena”.

                                                                                    (Gustave Flaubert)

 

Afrodite, a deusa do amor era frequentemente representada apenas com um par de delicadas sandálias nos pés.

Madame Bovary, era descrita por Flaubert como uma mulher de comportamento e sapatos sedutores.

 

 


 

Beth Schneider

 
O Meu Olhar se prenderá aos teus sapatos-Luxúria

 
Instalação-Fotografia-80 fotos 19x38 cm

 
2015
Postado por Sílvia Matos

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Anotações sobre os pecados


CURADORIA:  MARCO DO VALLE

 Recebi o convite para trabalhar com o Grupo Antropoantro com esta proposta aqui apresentada e o fizemos com muito empenho de todos. Trata-se de um projeto inédito no sentido de não ter sido ainda apresentado ao público. Nesta exposição teremos: escultura, pintura, objeto, instalações e vídeo. Esta diversidade qualifica a exposição que não se pretende homogênea. Nos trabalhos não se encontra, exatamente, uma visão religiosa ou teológica dos conceitos e da história dos pecados como tentação, mas sim um conjunto de anotações que envolvem artes plásticas, literatura, metalinguagem, pós-modernismo e conceitos estendidos destes pecados por cada uma das artistas. A abordagem como uma espécie de atualização destes pecados entendidos na vida contemporânea. Claro que a moral e a estética mudaram, ficando a arte de hoje menos sensível a ética que em outros tempos. Os trabalhos destas artistas não pretendem ser uma divulgação de empenho moral, mas apontam como anotações ou visões deste mundo contemporâneo. Cada uma das artistas mergulha estes temas ou pecados no mundo contemporâneo. Com isto, revelam, ainda que por pouco tempo, por oposição ou indiferença, nossa percepção do que vivemos aqui e agora.

 Marco do Valle
Curador

17/07/2014.
                                         PREGUIÇA DE LALAU MAYRINK

Título: Elogio å Preguiça ou Homenagem a Macunaíma  2014

Técnica: desenho/bordado
Material: Três redes rústicas, tecido de algodão, linha
Tamanho: 300 cm x 140 cm (cada rede)

 
                       



Elogio å Preguiça é o que é: um elogio ao pecado que impede outros pecados de serem cometidos. Uma homenagem a Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade e sua frase bordão "Ai, que preguiça!".

 Na época da produtividade e do elogio ao trabalho massacrante, em que o lazer passa a ser determinado pelo intervalo "merecido" e "ganho" entre períodos de trabalho duro, lazer governado pelo marketing das férias fabricadas (no Caribe, em Miami, em Disneyworld e assemelhados), um elogio å preguiça pura e simples - ao ócio mal visto e que se tenta banir do mundo contemporâneo - faz-se necessário.

 A rede é o símbolo desse ócio que permite a criatividade aflorar. O bordado, trabalho gratuito ou mal pago e pouco considerado, reforça essa idéia de ócio.
                                                                          LALAU MAYRINK

Postado por Sílvia Matos