CURADORIA:
MARCO DO VALLE
Recebi o convite para trabalhar com o Grupo
Antropoantro com esta proposta aqui apresentada e o fizemos com muito empenho
de todos. Trata-se de um projeto inédito no sentido de não ter sido ainda apresentado
ao público. Nesta exposição teremos: escultura, pintura, objeto, instalações e
vídeo. Esta diversidade qualifica a exposição que não se pretende homogênea.
Nos trabalhos não se encontra, exatamente, uma visão religiosa ou teológica dos
conceitos e da história dos pecados como tentação, mas sim um conjunto de
anotações que envolvem artes plásticas, literatura, metalinguagem,
pós-modernismo e conceitos estendidos destes pecados por cada uma das artistas.
A abordagem como uma espécie de atualização destes pecados entendidos na vida
contemporânea. Claro que a moral e a estética mudaram, ficando a arte de hoje
menos sensível a ética que em outros tempos. Os trabalhos destas artistas não
pretendem ser uma divulgação de empenho moral, mas apontam como anotações ou
visões deste mundo contemporâneo. Cada uma das artistas mergulha estes temas ou
pecados no mundo contemporâneo. Com isto, revelam, ainda que por pouco tempo,
por oposição ou indiferença, nossa percepção do que vivemos aqui e agora.
Marco do Valle
Curador
17/07/2014.
PREGUIÇA DE LALAU MAYRINK
Título: Elogio å Preguiça ou Homenagem a Macunaíma 2014
Técnica:
desenho/bordado
Material: Três redes
rústicas, tecido de algodão, linha
Tamanho: 300 cm x 140
cm (cada rede)
Elogio å
Preguiça é o que é: um elogio ao pecado que impede outros pecados de serem
cometidos. Uma homenagem a Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de
Andrade e sua frase bordão "Ai, que preguiça!".
Na época
da produtividade e do elogio ao trabalho massacrante, em que o lazer passa a
ser determinado pelo intervalo "merecido" e "ganho" entre
períodos de trabalho duro, lazer governado pelo marketing das férias fabricadas
(no Caribe, em Miami, em Disneyworld e assemelhados), um elogio å preguiça pura
e simples - ao ócio mal visto e que se tenta banir do mundo contemporâneo -
faz-se necessário.
A rede é
o símbolo desse ócio que permite a criatividade aflorar. O bordado, trabalho
gratuito ou mal pago e pouco considerado, reforça essa idéia de ócio.
LALAU MAYRINK
Postado por Sílvia Matos