sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

cubo branco-mais um

Inês Fernandez propõe a fragilidade do Inviolável. Uma cortina de correntes impede a entrada num espaço vazio onde brilha, em néon, a palavra Inviolável. A branda interdição detém os adultos que, obedientes, apreciam da porta as paredes pintadas e o letreiro que apenas avisa, no seu branco de luz, sem ameaçar. O tapete convida os pés e reflete a sombra das correntes. Violar o inviolável, só mesmo a primeira criança que, num rompante, afasta as correntes de plástico - antes tão pesadas no seu marrom escuro de ferro fingido - e entra no recinto abrindo caminho aos adultos. A irreverência da criança dá o exemplo. Inviolável retoma o conceito de “controle” – tão caro à sociedade atual, com o qual Inês Fernandez vem trabalhando desde 2000, com a série de fotografias Guaritas. Em seguida vieram Condomínio, Confronto, Descontrole (trabalho de 2006, apresentado em Antropoantro no Casarão), entre outros. A questão do controle, desta vez a determinação de que algo é inviolável, é novamente posta em xeque. Quem determina a inviolabilidade? Lalau Maiyrink



“Inviolável”
Néon, tapete de algodão e correntes

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