Vane Barini, quem disse que ela é fotógrafa? Com Fora de Si ela surpreende os apreciadores de sua arte como fotógrafa, aqueles que esperavam ver fotografias. Um cubo todo pintado de branco, com uma escada também branca encostada no fundo pode até ser fotografado e resultar em belas fotos, mas não é fotografia. No entanto, ele tem tudo a ver com fotos feitas por Vane Barini. O que há de comum entre Fora de Si e os retratos mostrados na Comunitária, o Com-viver apresentado no Casarão, e o trabalho Sem Título instalado nos vidros do hall central da Esamc? Os três últimos são fotografias, mas o que os distingue e une a Fora de Si é o ponto de vista inusitado que apresentam: os retratados de costas para a câmera, a multidão exposta numa fotografia invertida de ponta cabeça, os detalhes minuciosos de um jorro de água. Fora de Si, em sua singela brancura, convida o freqüentador de No Cubo Branco, a ver a exposição de um ponto de vista inusitado – do alto da escada, numa visão de cima. Uma visão que abarca todo o espaço do Cubo Branco, que permite apreciar os outros sete cubos (e o meio teto do oitavo) de um outro ângulo e em conjunto, que possibilita outras visões do público, das sombras, das coisas, de todo o conjunto da exposição. Fora de Si aponta para todo o trabalho de Vane Barini: a busca constante de pontos de vista inusitados, outros...
Lalau Mayrink
“Fora de Si”
Madeira e tinta
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