Alberto Simon
Em busca do lugar comum, o elusivo território que promete cumprir a promessa de revelar arte por toda parte.
Claude Lévi-Strauss contou que antes de aprender a ler ele já era estruturalista, porque quando saía às compras com sua mãe, reconhecia o que havia em comum no bou das placas da boulangerie (padaria) e da boucherie (açougue). A base do estruturalismo é faculdade humana de se reconhecer padrões ou estruturas com maior ou menor grau de semelhança, mesmo quando ocultas sob aparências dessemelhantes: no caso das referidas placas, o componente estrutural podendo ser reconhecível a olho nu até por um pré-escolar. Agora o brasão da Boulangerie Bienal, no Itaim Bibi em São Paulo, requer dessa faculdade um esforço em um grau mais ‘universitário’, para que uma relação com o evento cíclico das artes visuais no Parque do Ibirapuera possa ser estabelecida. Contido no nome do bairro onde se situa a panificadora, está o que aparenta ser um bônus que potencializa as possibilidades de desdobramentos, mas aqui o bi-bi será descartado e não terá o papel chave que o bou-bou teve na formação do menino Claude: bastará a tentativa de se estabelecer uma relação entre a Bienal (pães) e a Bienal (mega-evento dedicado às artes visuais ano-sim, ano-não).
Já se ouviu muito falar que o tatuzão desconstrutivista ‘parece’ ter ‘aparentemente’ esbarrado no fundamento do Edifício Estruturalista, fazendo com que esse perigosamente pendesse para o lado, obrigando os ocupantes do ‘é difícil’ pôr em prática o compulsório plano emergencial do corre-corre. Mas uma vez passado o susto, puderam as neuro-ciências cognitivas experimentais - aquelas de laboratório, com avental e instrumentos sofisticados - demonstrar que a resiliência da construção permite que essa ainda possa, nos dias de hoje, com segurança abrigar a faculdade - que tem 1001 utilidades e é acessível a quem possa interessar.
O fato de Lévi-Strauss ter passado uma fase tão fundamental de sua vida no Brasil - e tendo morado e lecionado site-specifically em São Paulo - talvez justifique a tentativa, ainda que diletante, do uso mais ou menos sistemático de uma metodologia menos recém-transplantada e mais enraizada. Faz parte do código da ‘contemporaneidade’ das artes visuais um estado geral de karaokê que valoriza o amadorismo, talvez por via da legitimação que termos como ‘apropriação’ ou sampling conferem à certas práticas artísticas. Como já dizia Cole Porter:
Good authors too who once knew better words,
Now only use four letter words
Writing prose,
Anything goes.
Um comentário:
arrasou amiga.depois me explica melhor.beth
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