Em texto de hoje (2/12), no seu blog da página da UOL, Marcelo Coelho comenta a polêmica causada por Luciano Trigo e suas opiniões sobre a arte contemporânea, nas páginas do caderno Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo, e louva a resposta dada, no mesmo jornal, pela artista Laura Vinci, autora de uma das obras ali criticadas.
O louvor se deve ao fato de a artista ter explicado aspectos de sua instalação, que ajudariam o público a entender a obra apresentada por ela. Algumas obras mereceriam e careceriam de uma explicação e Marcelo Coelho lastima que “[j]ustamente nas obras em que valeria a pena esclarecer as intenções do artista, as entrevistas são mais raras”.
O que, evidentemente, não pode ser cobrado do artista... Quem se propõe entrevistá-lo? Se só quando já muito badalado pela mídia é que ele consegue, minimamente, aparecer nela?
Marcelo Coelho, no entanto, discorda de um ponto na resposta dada pela artista, quando ela afirma que seu trabalho (cito aqui parte da citação encontrada no blog) “não é facilmente comprável, não por causa de um preço, mas porque não se insere com facilidade, pela sua natureza, no mercado do qual faz parte”.
O blogueiro aponta, aí, um equívoco, nestes termos:
“Foi-se o tempo em que alguém comprava uma obra de arte para pôr na parede de casa. O mercado de arte, a meu ver, hoje opera com mecanismos mais complexos. Uma instalação “invendável” pode ser patrocinada (...)”. E conclui afirmando que “[é] mercado do mesmo jeito, mas, de certo modo, um mercado sem mercadoria”.
E ele tem toda a razão, não? A lógica do mercado se impõe à arte dessa maneira. Mas, mesmo discordando de que algumas obras valham dinheiro (ele lista várias), não culpa o artista por participar desse mercado porque “seria exigir demais dos artistas que eles se recusassem a obter ganhos materiais pelas idéias que tiveram”.
Ainda bem, não é? Afinal, como nós bem sabemos e sentimos no nosso dia a dia, artista também tem dívidas...
Mas o que me chamou mesmo a atenção no texto de Marcelo Coelho foi a sua conclusão, quando ele afirma que
“O que agita o mercado de arte hoje em dia é uma coisa ainda mais assustadora: os fundos de investimento em arte. Ou seja, não há mais colecionadores ou instituições pagando pelo que os artistas fazem: há fundos impessoais, que “compram” direitos pelas obras visando a valorizações futuras, e vendem papéis em troca das obras que legalmente possuem.”
E, principalmente, a afirmação de que
“O artista que quiser contestar o mercado está diante de um desafio muito maior, o de contestar a própria fama, a própria imagem, o próprio valor”.
E a sua conclusão:
“(...) que se façam obras, mas que não haja ilusões quanto ao aspecto de contestação real que possam possuir”.
O que, de certa forma, vai na contramão de tudo o que um artista, que se considera de vanguarda, desejaria: ser conhecido e reconhecido pela sua arte, e acreditar que ela questiona alguma coisa do mundo... (se conseguir algum dinheiro por ela, melhor ainda...).
Estamos numa armadilha criada pelo mercado da arte? Uma mosca presa na teia da aranha! É como me sinto depois da leitura...
Texto de Lalau Mayrink
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