
Os monumentos, como os jardins e as ruínas, são construções que existem no limite da utilidade e da permanência. Eles flertam com o desaparecimento. (Nelson Brissac)
Chão de terra, telas brancas... criado uma espécie de labirinto
em que as pessoas caminham o tempo todo escolhendo seu roteiro. A qualidade labiríntica consiste em cultivar ambientes urbanos mesclando interior e exterior. Esta multiplicidade de urbanização como a criação de um sentido interior de complexidade inescapável, de um labirinto interior como o museu na Gare dÓrsay reformulada de Paris. (David Harvey – Condição Pós-moderna).A obra não exige contemplação mas uso, busca. Não é o olhar viciado, mas novas atitudes que determinarão a relação com o objeto de arte. A arquitetura passa a explorar o entre as coisas – as passagens. Estar, não num extremo ou noutro, mas no meio. Contra a tradição do monumental – do eterno e do estático –, assimilar a fluidez dos sistemas de comunicação. Uma ‘arquitetura o entre’. (Nelson Brissac). (...) estar entre significa estar entre algum lugar e nenhum lugar. Estar entre implica buscar um ‘atopos’, a utopia dentro do ‘topos’.
A idéia de passagem é uma obsessão da escultura moderna segundo Rosalind Krauss. A imagem de passagem serve para colocar tanto o observador como o artista diante do trabalho e o mundo, em uma atitude de humildade fundamental a fim de encontrarem a profunda reciprocidade entre cada um deles e a obra (Rosalind Krauss).
Mas a passagem pode estar barrada sob a forma de um portal negro que nada deixa passar... ou disponível em brancas escadas. De passagem, pode-se topar com um totem primitivo, dólmen provisório (?) na aparência, mas que resiste a tempestades.
(...) o estranhamento inquietante seria sempre algo em que, por assim dizer, nos vemos totalmente desorientados. Quanto mais um homem se localiza em seu ambiente, tanto menos estará sujeito a receber coisas ou acontecimentos que nele produzem uma impressão de inquietante estranheza. (Freud). Mas o homem localizado firmemente e não passível de inquietação ainda está por nascer...

ENTRE (site specific) é o primeiro trabalho coletivo do grupo Antropoantro. Foi apresentado nos jardins do Sílvia Matos Ateliê de Criatividade, em dezembro de 2004, por cerca de quatro horas. Trabalharam no projeto as artistas Beth Schneider, Inês Fernandez, Lalau Mayrink, Sílvia Matos, Vane Barini e Walma Lina.
As fotos que ilustram o texto são de Lalau Mayrink e o texto é do Antropoantro.
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