terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Ainda o mercado da arte - fala Antônio Dias


Sem Título, 2006. Ouro e cobre sobre tela75 x 90 cm. Coleção Particular
Foto: Andrew Kemp



Como estávamos falando em mercado de arte recentemente, encontrei agora, entre meus guardados (minha pasta de leituras recolhidas da Internet), uma entrevista que Antônio Dias deu à Luísa Pécora por ocasião da exposição "Arte e Ousadia - O Brasil na Coleção Sattamini", que esteve em cartaz no Masp de 24 de agosto a 28 de outubro de 2007. Reproduzo, aqui, parte dessa entrevista, mais precisamente as questões e respostas referentes a mercado de arte no Brasil.

CULT - Que avaliação você faz da arte contemporânea brasileira da segunda metade do século XX, que é o tema da exposição?

A.D. - Essa arte está sendo avaliada no mundo todo, por críticos latinos, europeus, americanos. Há um crescente interesse pela produção da América Latina, mas o Brasil tem papel destacado exatamente por causa do neoconcretismo. É nesse momento que começa a existir um distanciamento em relação ao concretismo europeu, que começamos a ter uma posição nossa, que começamos a defender uma poética e um pensamento nosso. O neoconcretismo tem trazido uma atenção muito grande para o que foi produzido no Brasil. E como na época o mercado de arte no Brasil era incipiente, praticamente inexistente, você não podia sobreviver como artista e a produção era pequena. Então era difícil encontrar e juntar em um mesmo espaço as obras que podemos ver nessa exposição. As pessoas se limitavam a ter apenas um ou dois trabalhos mais importantes de cada artista.


CULT - E atualmente, como você vê o mercado brasileiro de arte? Os artistas são valorizados aqui ou vendem mais no exterior?

A.D. - Hoje, vários artistas brasileiros têm também um mercado no exterior, e às vezes até fazem mais sucesso lá fora. Já não bastam duas mãos para contar esses artistas, que realmente são muitos, sobretudo jovens entre 30 e 40 anos. Mesmo assim, o mercado brasileiro funciona normalmente, como qualquer outro. A globalização atingiu [as artes] também. Do produtor rural ao banqueiro, as pessoas estão se interessando em formar coleções, se atualizar sobre o mercado de arte, visitar exposições.

Pois é, mercado é mercado, globalizado também para o mundo da arte.

O produtor rural e o banqueiro se interessam em formar coleções e, para isso é importante conhecer o produto que se adquire e o próprio mercado em que a mercadoria adquire ou perde valor.
Já o trabalhador rural e o bancário, os que não podem participar desse mercado globalizado, que se contentem com pôsteres dos artistas de novela ou cantores e jogadores de futebol...
E os museus e galerias de arte ficam vazios do “grande público”...
Quero provocar mesmo!


Texto de Lalau Mayrink
Imagem retirada do Google

Um comentário:

Anônimo disse...

Este blog está barbaro tem que virar revista digital.