sábado, 17 de novembro de 2007

Olívia Niemeyer fala d´A escultura que não deu certo

Nesta foto, nosso Homem de Plástico serve de modelo "vivo" no Instituto Tomie Okhtake

A ‘escultura que não deu certo’, acompanhada pelas artistas do grupo Antropoantro, circula, despreocupadamente, pela cidade de Campinas. Uma obra que não tem lugar demarcado em nenhuma instituição, não tem vida longa - como acontece com uma estátua em mármore ou bronze -, não tem, nem mesmo, o intuito de transgredir violentamente, mais uma vez, critérios estabelecidos pela tradição em artes plasticas. Ele, o boneco, passeia simplesmente, convive com os humanos, visita museus (como convidado ou penetra), anda de ônibus, senta e conversa com estudantes, participa de cursos de arte. E tira férias, conhece outras cidades e outros países.
Mas o que está fazendo o grupo Antropoantro com esse homem (será um homem?) de plástico? Com “Circulações”, essas artistas escolhem aproximar a arte da vida, na contramão da tendência elitista da nossa época que corre o risco de arrastar a obra de arte para uma complexidade que poucos podem apreciar. Valorizam e redefinem, desta forma, os acontecimentos do dia a dia, lançam um olhar descompromissado para as instituições de arte, propõem ao público experiências sensíveis e estimulam esse público a expressar sua opinião sobre arte. O boneco não “representa” um momento da vida, ele coloca em cena, apresenta.

Seu material é frágil e o boneco, como os humanos, envelhece, exige cuidados constantes em seu manejo e descanso. Não é um objeto que agrega valor com o passar do tempo, ele perde seu brilho, cria rugas, seu deslocamento fica mais problemático. Daí a importância de sua documentação por fotos, vídeos e depoimentos escritos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Belo texto!
Parabéns à autora.

antropoantro disse...

Lá estou eu denovo com o boneco.Isto vai virar novela.Beth

Anônimo disse...

Puxa vida! Esse homem de plástico é muito fotogênico! E prático: não fala, não reclama... quem me dera ter um assim.

Ale Bubble disse...

Olá artistas! Bem bacana o homem de plástico. Isso é uma proposta do grupo ou de algum artista em particular? Vi que o comentário é da minha querida amiga Olívia e fiquei curiosa para saber quem é que cicerona o "rapaz".