quinta-feira, 27 de novembro de 2008

MUSEU DO VAZIO - GALERIA DE FOTOS - VAZIOS PRODUZIDOS PELA NATUREZA



Não resisti trazer para a Galeria de Fotos do Vazio essas duas fotos que encontrei na página da National Geographic News. São fotos de estranhas criaturas que vivem no fundo do oceano Atlântico, autênticos "vazios" fabricados pela natureza. Obras de arte, captadas em fotografia por David Shale e que foram cedidas como cortesia à National Geographic pela Universidade de Aberdeen.

Lalau Mayrink

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

INTERVALO NO MUSEU DO VAZIO PARA EXPOSIÇÃO D'OS GÊMEOS NO MUSEU OSCAR NIEMEYER DE CURITIBA






Grafite no museu. Fui ontem no Museu Oscar Niemeyer e encontrei uma exposição d’Os Gêmeos. As duas últimas fotos foram tiradas dentro do cubo com a cabeça pintada.

Beth Schneider

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

2° Salão Nacional de Cerâmica - Curitiba




Acima fotos de tabalhos do salão de cerâmica em Curitiba

trabalho de Walma Lina
Esta semana estou em Curitiba e aproveitei para ver exposições.Fui no Salão Nacional de Cerâmica e encontrei o trabalho de Walma Lina ex-integrante do nosso grupo, parabéns Walma pelo seu trabalho. O salão está barbaro,vale a pena visitar para quem for a Curitiba.

2º Salão Nacional de Cerâmica
Casa Andrade Muricy
Alameda Dr. Muricy, 915- Centro -3321-4786
Horário de visitação: de terça a sexta-feira, das 10h às 19h
Sábados e domingos das 10h às 16h
A mostra permanece até o dia 22 de fevereiro

fotos beth schneider

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

MUSEU DO VAZIO - GALERIA DE FOTOS - OS EFÊMEROS COLORIDOS DE SÍLVIA MATOS







Efêmero segundo o Aurélio é de pouca duração, passageiro, transitório. Os efêmeros que estou fotografando duram o tempo do movimento do sol, da luz do dia. Assim que são captados pela câmera, já não existem mais. O interessante é que uma vez captados, deixam de ser efêmeros e passam a ter a duração de uma fotografia digital. Sendo assim, qualquer fotografia pode ser considerada um efêmero pois por mais que a gente tente refazer uma cena artificial, o momento já é outro. Que coisa louca! Eu transformei o efêmero em duradouro e ainda por cima ele faz parte do Museu do Vazio.
Sílvia Matos

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

MUSEU DO VAZIO - TEXTOS - UMA CONTRIBUIÇÃO DE CLÁUDIO MARTINI: A Bienal que não houve

O texto abaixo nos foi gentilmente encaminhado por seu autor, Cláudio Roberto Martini, atendendo solicitação do Grupo Antropoantro.
Cláudio é designer gráfico e publisher da editora de HQs Zarabatana Books.
O texto foi originalmente publicado no Terra Magazine (www.terramagazine.terra.com.br).
Agradecemos a oportunidade de anexá-lo ao acervo do
Museu do Vazio.
A Bienal que não houve

Cláudio Martini -De Campinas (SP)

Não sou crítico de arte e não sou artista. Não fui curador ou expert. Escrevo sobre esta Bienal de Arte como visitante e entusiasta. Visitante que por mais de 30 anos percorreu todas as Bienais, Nacionais e Internacionais, que ocuparam o prédio do Ibirapuera. Entusiasta, pois as mostras anteriores revelaram muitas surpresas e obras de uma infinidade de artistas inovadores e de importância histórica.

A Bienal de São Paulo e a de Veneza são as duas mais antigas e mais importantes do mundo, e a de São Paulo é o único evento brasileiro que consta do calendário internacional de arte.

Pois este ano o visitante pode esquecer a exaustão prazerosa que sentíamos ao terminar de percorrer os andares, rampas, corredores e salas de uma Bienal. Pessoas vinham de todo o Brasil e de países da América Latina para conhecer e interagir com as milhares de obras expostas. Hoje, não se justifica nem mesmo uma viagem a São Paulo a partir de uma cidade do interior do estado para visitar a mostra.

A interatividade que está sendo alardeada também deixa a desejar. Obras medíocres, que talvez tenham sua importância se entremeadas a outras em uma exposição maior, gritam aqui sua pobreza pois estão isoladas e elevadas a atrações principais:
- Os escorregadores de Carsten Höller, iguais aos que se encontra em parques aquáticos.
- O trabalho de Armin Linke convida o visitante a escolher dentre uma seleção de fotos algumas que comporão um livreto que pode ser levado como souvenir.
- A barraca de Paul Ramírez Jonas onde você poder trocar a chave de sua casa por uma que abre a porta da Bienal.

Primeiro foram as salas especiais que sofreram o corte. Com a justificativa de que nos dias de hoje não há mais necessidade de se atrelar essas mostras a uma Bienal de Arte. Exposições importantíssimas que por si só já valiam uma visita ao edifício de Niemeyer fizeram parte da Bienal.

O trabalho primordial de Marcel Duchamp, chave para nossa arte atual, as retrospectivas da surrealista hispano-mexicana Remedios Varo e do belga Paul Delvaux, as esculturas da francesa Louise Bourgeois, a arte de números seqüenciais pintados com precisão e determinação pelo franco-polonês Opalka em grandes telas, a excelente mostra de Arte Incomum, a videoarte norte-americana, as centenas de instalações.

É inaceitável ver a Bienal reduzida à mostra deste ano. Divulga-se que um andar ficou vazio mas não é apenas isso:
- No térreo e primeiro andar: uma praça de eventos, onde ocorrerão performances e shows, e algumas baias para projeção de vídeos.
- Segundo andar: completamente vazio, com a justificativa de se deixar a arquitetura de Niemeyer despojada de interferências para ser apreciada pelo público. A obra magnífica do grande arquiteto merece nossa admiração mas não é necessário utilizar o momento da Bienal para se fazer isso. O edifício poderia ser aberto à visitação em qualquer outra ocasião.
- Terceiro andar: o meio andar que antes era ocupado por salas especiais e centenas de obras agora traz pouquíssimos trabalhos pulverizados pelo enorme espaço, muitos de importância duvidosa, além de uma biblioteca com catálogos da mostra de anos anteriores do evento (talvez para compararmos e vermos como eram boas) e um auditório.

Resumindo, a exposição que em edições anteriores ocupava dois andares e meio, se fosse condensada descontando-se os grandes espaços não ocupados, não preencheria a quarta parte de um andar do prédio.

Outra explicação oferecida pelos curadores é que o sistema de bienais está em crise. Argumento negado por Robert Storr, curador da última edição da Bienal de Veneza, em entrevista à Folha de S. Paulo. O que está em crise é a Bienal de São Paulo.

Seria melhor que fosse extinta ou pelo menos se pulasse este 2008 vergonhoso. Um desrespeito aos artistas, curadores e organizadores de edições anteriores e à história da Bienal de Arte de São Paulo, um insulto aos visitantes e à sua inteligência.

Seja qual for a explicação, crise, falta de verba, incompetência, descaso, a verdade é que quem sai perdendo é o público que perde a mais importante mostra brasileira de arte, são os artistas, é São Paulo e o Brasil. Não se pode aceitar que a Bienal seja reduzida a esta sombra pálida do que já foi.

Ficamos como crianças que têm seu doce roubado: perplexos e revoltados, insatisfeitos e decepcionados. E que seja uma lição para as próximas Bienais que espero continuar a visitar.

PS: Para completar, eu estava na Bienal quando houve a ação de um grupo de pichadores no domingo de abertura da exposição. Além da inexistência de um esquema de segurança, depois se viu uma situação absurda: após os pichadores debandarem do edifício sem serem incomodados por ninguém, resolveram fechar as portas e impedir todos os visitantes de saírem. Por cerca de meia hora, todos, incluindo pais com bebês de colo, crianças, deficientes físicos e idosos não puderam deixar a Bienal.
Não sei se foi uma manifestação legítima, mas ver um andar inteiro completamente vazio quando tantos lutam por um espaço para expor seu trabalho é mesmo revoltante. Mais um registro vergonhoso para esta “Bienal”.

INTERVALO PARA CONVITES NO MUSEU DO VAZIO - 5 ANOS DO TOTE ESPAÇO CULTURAL E PINTURAS DE CLÁUDIA SILVA E AFRÂNIO MONTEMURRO



Parabéns pela exposição, amigos!
E muito sucesso!
Grupo Antropoantro


Que o TOTE Espaço Cultural continue trazendo boa arte contemporânea para Campinas e região!
Parabéns, Norma Vieira e Vera Orsini!
Grupo Antropoantro

terça-feira, 18 de novembro de 2008

MUSEU DO VAZIO - ACERVO - POSTAL BIENAL DO VAZIO DO GRUPO ANTROPOANTRO




Mais um postal apresentado pelo grupo. Este foi em paralelo com a Bienal do Vazio de São Paulo. O grupo já vem a mais de um ano com este projeto de postais. Sempre que surge uma oportunidade junto a algum evento de arte, o grupo participa na marginalidade , com lançamento de postais . Neste postal , preeenchemos o Vazio da Bienal com a Escultura que não deu Certo. Trabalho que já foi apresentado em outro postal.

Beth Schneider

domingo, 16 de novembro de 2008

MUSEU DO VAZIO - MANEIRAS DE ENCHER UM VAZIO - VIROU MODA MORAR NO MUSEU

Virou moda morar no museu ou bienal. Agora é arte. A bienal daqui, além de ter um morador, também troca sua chave de casa pela da porta da bienal.
Beth Schneider


O artista belga Carsten Höller criou uma instalação que reproduz um quarto de hotel dentro do Museu Guggenheim, em Nova York, e que abrigará hóspedes durante a noite.
A instalação Revolving Hotel Room (Quarto de Hotel Giratório, em tradução literal) traz a mobília tradicional de um quarto de hotel sobre quatro discos de vidro giratórios. Durante o dia, a obra pode ser vista como parte da exposição theanyspacewhatever e à noite, o quarto é reservado para visitantes que queiram passar a noite no museu.
A oportunidade de se hospedar na instalação luxuosa de Höller e de passear pelo Guggenheim quando o museu está vazio, no entanto, não sai barato. O custo do pernoite varia entre US$260 (R$581) durante a semana e US$ 799 (R$ 1788) nos finais de semana e inclui café da manhã. Cada hóspede pode passar apenas uma noite no museu e a instalação abriga no máximo duas pessoas por noite. A exposição theanyspacewhatever, da qual a instalação Revolving Hotel Room faz parte, tem como objetivo ir além das artes visuais, aproximar a experiência artística do cotidiano e ampliar as convenções tradicionais dos museus.
A artista canadense Angela Bulloch irá transformar o teto do museu em uma constelação artificial de estrelas. A francesa Domonique Gonzalez-Foerster usará uma instalação sonora para "tropicalizar" uma das rampas do museu. O britânico Liam Gillick intervirá nos serviços de sinalização do Guggenheim, para "reorientar" a experiência dos visitantes no espaço e na exposição.
(Foto e texto da BBC.Brasil.com)

Agora, um video do morador da 28ª Bienal de São Paulo



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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

NOVO INTERVALO PARA UMA FOTO DO JOAQUIM NA GRÉCIA


Essa foto foi tirada em Delos, em frente aos leões que guardam o lago que é o local sagrado do nascimento de Apolo e Ártemis, deuses filhos de Zeus .Não foi fácil tirá-la porque é proibido, é considerado desrespeito como nos outros lugares históricos, sendo que minha intenção era exatamente homenageá-los. Mas vai explicar... É a última das fotos do Joaquim nesses lugares gregos.
Vane Barini

terça-feira, 11 de novembro de 2008

MUSEU DO VAZIO - DICIONÁRIOS

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Polemiquemos todos!!!

MUSEU DO VAZIO - TEXTOS

Publicado no Caderno Mais, da Folha de São Paulo, no domingo, dia 09/11:

"Ponto de Fuga


Serviço sujo

Não adianta vir com história de que essa Bienal causa "polêmica"; não pode haver "polêmica" com alguma coisa que se situa entre o simplório e o safado



JORGE COLI - COLUNISTA DA FOLHA DE SAO PAULO


O título deste "Ponto de fuga" está na coluna de Barbara Gancia, na Folha, dia 31 passado. Um artigo que lavou a alma. Enfim, alguém berrou: "O rei está nu". Ou melhor: a Bienal de São Paulo está vazia. Vazia. Sem floreios ou firulas: vazia, irremediavelmente vazia, pateticamente vazia. Vazia de obras, de idéias, de vergonha. Não é gesto artístico: Yves Klein [1928-62] pintou de branco a galeria Iris Klert, em Paris, e expôs o vazio, provocando filas de gente querendo entrar para ver o que não havia. Isso em 1958. Cinqüenta anos depois, está lá, no pavilhão do Ibirapuera, o cavo, o inane, o chocho. Não adianta vir com história de que essa Bienal causa "polêmica", palavra hedionda porque reduz argumentos e debates a um espetáculo de circo. Não pode haver "polêmica" com alguma coisa que se situa entre o simplório e o safado. Não é admissível contemporizar, dizendo que a arquitetura do Niemeyer ficou visível, patati e patatá. Nem que houve seminários, conferências e quejandos: a Bienal de São Paulo não é academia ou universidade. Existe para mostrar arte recente. Nem que ela "questiona" a produção de hoje ou a natureza das próprias bienais. Questiona nada, porque é um nada. O que ela traz, sem querer, não é artístico ou estético, é ético. Aracy Amaral, com sua serenidade de sábia, tocou num nervo exposto, declarando à Folha: "Existe uma produção nacional muito vigorosa que não está aqui e poderia". Basta comparar a atual Bienal de São Paulo com as últimas edições da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Lá, as mostras, nacionais e internacionais, são vivas, agudas, brilhantes. Parquinho. No segundo andar da Bienal não há nada. Literalmente. No primeiro, algumas obras minguadas. Entre elas, um escorregador, de Carsten Höller. Escorregador mesmo. Na Tate Modern, de Londres, há dois anos, eram cinco. Aqui é um só, perdido no desânimo. Se é para perturbar a seriedade sagrada dos lugares reservados às artes, uma sugestão: instalar a próxima bienal no Playcenter. Tanya Barson, da Tate Modern (Londres), que lamentou, na Folha, ter voado 14 horas para ver a Bienal do Vazio, poderia ao menos se divertir na montanha-russa, no chapéu mexicano. Charabiá. Como muitas pessoas são fascinadas por aquilo que não conseguem entender, a crítica e a teoria das artes abusam. Jonathan Shaughnessy sobre Carsten Höller: "Esses objetos tentam ao mesmo tempo embrulhar e revelar os sentidos a fim de que inibam a subjetividade e o sentimento de si ao invés de favorecê-los". Tradução possível: depois de escorregar no tobogã a gente fica tonto. Coronéis. Um problema de certas instituições brasileiras voltadas para a arte e para a cultura é que se acham nas mãos de ricaços. Nos EUA, contribuições vão para o MoMA ou a Metropolitan Opera. Uma direção especializada decide o destino das verbas. Aqui, quem tem dinheiro mete o bedelho. Os resultados são desastrosos. Sem contar a freqüência com que dinheirama e falcatrua se tornam sócias. Ilustração evidente, o caso de Edemar Cid Ferreira. Chegou a ser mais poderoso do que o ministro da Cultura no Brasil e acabou na cadeia. Tristes fraquezas pressupostas naquele latim: "Sic transit gloria mundi", ou seja, uma hora por cima, outra hora por baixo. Edemar Cid Ferreira vivia circundado por uma corte de intelectuais que se agitava ao seu serviço. Que se escafedeu ao sentir o cheiro de queimado."


Enviado para o e-mail do Grupo Antropoantro, no mesmo domingo:


"Servissim

Este texto foi escrito depois de ler “Serviço Sujo” de Jorge Coli no Caderno MAIS, da Folha de S.Paulo de domingo, 09 de novembro de 2008.

Na cidade não há verdades, só opiniões. E quantas a respeito desta Bienal em São Paulo!
Ótimo, como situação artística que é, pró-voca, faz falar. E, como gostam de dizer os entendidos, está “grávida de sentidos”. E é polêmica sim. Pois polêmica não é um espetáculo de circo, mas uma saudável controvérsia, típica da vida urbana, que não pretende chegar a nenhuma conclusão definitiva. Ainda mais em se tratando de arte contemporânea.
É curioso que depois de tudo o que já vimos, estudiosos da arte e palpiteiros profissionais expressem suas opiniões como se fossem verdades, e se posicionem frente à Bienal como galeristas do século XIX.
É claro que toda curadoria tem propósitos e intenções artísticas. Não existe curadoria neutra, nem absoluta, nem perfeita. E há intenções assumidas nesta montagem da Bienal. Intenções artísticas, que se fossem óbvias, não gerariam tão calorosa expressão de opiniões. Eu não sei se o rei está nu, como disseram, mas que tinha um cara pelado ali, isto tinha.
Como todos nós sabemos, não há evolução em arte, logo, desqualificar algo porque alguém já fez coisa semelhante há cinquenta anos atrás não vale. Já imaginou se a moda pega: “pintura abstrata, de novo, mas o Kandinsky já fez isto aí há mais de cinquenta anos!”
Chocha esta Bienal não é. Se fosse não a teríamos nem notado. Opinião por opinião, tem especialista por aí que acha que ela é safada. Safada, uau! Então acho que vou adorar! Mas safada por quê? Rola uma suruba? Tipo patati no patata, uma hora por cima outra por baixo?
Uma coisa é verdade: esta Bienal é incômoda, não é mesmo?
Eu, em minha parca e abestada ignorância, não tenho certeza o que ela é. Mas me permito indagar e, generoso que sou, compartilharei com o leitor minhas vagas e oníricas opiniões.
Ao entrar no edifício pensei: “Poxa, eu sempre acho que o melhor da Bienal é a arquitetura deste prédio”. E continuo achando.
Mas, a arquitetura costuma trazer este tipo de surpresa. Basta lembrar que o único objeto artístico exposto na Feira Internacional de Londres de 1851, sobre o qual ainda se fala, é o edifício de metal e vidro que a abrigava: o Palácio de Cristal, na época a obra mais moderna de todas.
Ah, tinha um escorregador ali, logo na entrada, parecia um destes que servem pra tirar entulho de prédio. “Nossa, como está vazio aqui dentro, que alívio!” Coisa rara, as Bienais costumam estar sempre tão entulhadas. “Dá até pra pensar aqui dentro”. Pra mim, tem coisa demais pra ver nesta cidade: shopping centers cheios de vitrines, avenidas lotadas de carros, condomínios apinhados de apartamentos, blogs demais, e-mails demais. Chega!
“Olha, tem o mundo explicado ali”. Que bom, até que enfim alguém – um tal de Erick Beltrán – conseguiu explicar tudo! E tem também um museuzinho ali num canto que vale por muitos. Do outro lado, tem uma sala com o mesmo filme passando em três telas com pontos de vista diferentes. Obra de uma artista de nome complicado, Eija-Liisa Ahtila. Parece chocho, mas nossa, imaginei que a vaca estava no meio da sala, que viagem! Tive a impressão que a imagem tinha se transformado em uma coisa tridimensional. Bem legal.
Madeira, tipografia, vídeo. Uma Bienal assim simplória. Tanto que dá vontade de fazer arte também. Fiquei afim de fazer coisas, bolar uns trecos, imprimir umas imagens, desenhar, fazer uns filmes. Eu, que costumo sair tão cansado de Bienais e mega-exposições, fiquei surpreso com a minha disposição.
Animado, pensei: “como o Mondrian, eu continuo aguardando a Bienal do vazio total, aquela do nada”. E, neste intermezzo, fiquei a imaginar o sorriso jocoso de Duchamp, descendo de escorregador, depois de voar 14 horas para ver a Bienal de São Paulo.
Cheguei em casa, ainda com esta Bienal “safada” na minha cabeça, olhei pra minha mulher e disse: minha musa, antropofagia, canibalismo agora!

Benê Dito,
falsário, palpiteiro profissional, que não entende porra nenhuma de arte, mas adora passear na Bienal."

domingo, 9 de novembro de 2008

MUSEU DO VAZIO VISITA O VAZIO DA BIENAL

A iluminada - foto de Vane Barini

Perdida no Vazio - foto de Beth Schneider

Vazio com rampas - foto de Beth Schneider

Quase vazio - foto de Beth Schneider
Estas fotos foram tiradas ontem, quando algumas ântropas andaram perdidas no Vazio.