segunda-feira, 13 de outubro de 2008

MUSEU DO VAZIO - TEXTOS - ACERVO

Um texto para contribuir para a discussão do Vazio, um excerto de Teixeira Coelho, enviado pela ântropa Olívia Niemeyer. Faz parte, agora, do nosso Acervo.
Meninas, tirei o fim do artigo do Teixeira Coelho do site da revista Bravo para enviar às Antropas. Não entendi tudo, mas estamos em época de mudanças e o nosso museu é super bem-vindo... Olívia Niemeyer:

"(.............................................................................................................)
A bienal pode manter-se, ainda, com arte? Caso se paute pelo modo de ação do museu, sim. (Muita bienal já se abre para a documentação, para a revisão.) Mas, nesse caso, bienal para quê? Como distração, pode manter-se indefinidamente. Espaçar sua periodicidade, em busca da legitimidade perdida, é inócuo. A redundância está na base do sistema, da indústria. A lógica dessa industry sugere que o futuro da bienal estaria numa Fiba, uma federação internacional das bienais de arte, como a Fifa, ou num CBI, um comitê bienalístico internacional, como o COI, que em congressos se decidiria onde, em quatro anos, se faria a próxima bienal mundial ou o mundial das bienais. Com cerimônia de abertura cinematográfica e tudo. (Não é simples coincidência que o Comitê Olímpico Internacional tenha sido criado em 1894, um ano antes da Bienal de Veneza: por trás de ambos os fenômenos, a mesma cultura, a mesma lógica.)
A arte contemporânea em larga medida virou acadêmica, o antropólogo francês Lévi-Strauss tem razão, e as bienais também. Cabe esperar uma arte e um lugar da arte outra vez abertos à contemplação, a alguma coisa mais vital que um produto da industry, num momento em que os artistas têm fábricas e escritórios empregando dezenas de pessoas entre pesquisadores, engenheiros, curadores próprios, advogados? Valéry pensava, naquele mesmo texto, que sim, que as mudanças inovariam maravilhosamente a noção de arte. Talvez. De todo modo, o maravilhoso hoje está, como paradoxo, no velho: no museu, muito mais que na indústria, quer dizer, na bienal, na feira. E nos análogos do museu, como as fundações de arte (a Pinault, em Veneza; a Beyeler, em Basiléia), igualmente baseadas nas idéias de coleção e seleção.
(Mas, claro, a gente sempre quer também diversão, não só arte...)"
ATENÇÃO: vale a pena ler o texto em sua íntegra, também publicado na revista. Lalau Mayrink

Um comentário:

Anônimo disse...

O Teixeira Coelho faz ainda mais sentido quando lido após o texto que conta como será a Bienal deste ano, publicado também na revista Bravo.