segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

O ÚLTIMO DIA DO ANO É O INÍCIO DE OUTROS 365 DIAS DE VIDA...

O homem de plástico com os acrobatas Andréi Parmezan e Letícia Marcondes Castiglia, em foto de Vane Barini





PASSAGEM DO ANO

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar,
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade
Passagem do Ano – A Rosa do Povo (publicado em 1945)

domingo, 30 de dezembro de 2007

Um poema e Matisse para aguardar 2008

Preparando a ceia de ano novo, um poema do nosso amigo José Miguel Rasia e a tela de Matisse, de exatos cem anos atrás, que o inspirou:

Henri Matisse
La desserte rouge (Harmonie en rouge), 1908
Huile sur toile, 180 X 200
Saint Petersbourg, Musée de l'Ermitage
Harmonia Vermelha
“ O que mais me interessa não é nem
a natureza morta, nem a paisagem, é
a figura” (Matisse)

A mesa é apenas uma linha na parede vermelha
que se prolonga em toalha.
Flutuando sobre ela o estampado o violeta. Vermelho e
azul que se fundem.
Na parede, janela ou quadro? Sobretudo paisagem.
Cadeiras marrons: Vermelho e preto a exata proporção
e nos assentos a luz laranja. Vermelho e amarelo numa só cor.
A mulher ajeita as frutas, recolhe as que deslizam sobre a toalha e destaca-se na cena.
Maçãs?
À saudade atávica do paraíso, contrasta seu modo doce de tocar as frutas
e a condição resignada de mulher caseira, dona de casa!

24/12/2007

sábado, 29 de dezembro de 2007

Balanço do ano: O Antropoantro teve um feliz 2007!!!

Grupo Antropoantro 2007

Foto enviada por Sílvia Matos




Muitas realizações no ano que passou!
Reuniões semanais do grupo para o planejamento e execução de projetos coletivos, reuniões periódicas com nosso artista convidado Albano Afonso, exposições do grupo e a divulgação de postais da série Tempo e Memória e de catálogos...
As exposições do grupo em 2007 foram:

Antropoantro na Escola Panamericana.(outubro) Uma exposição paralela à Bienal do Mercosul na Escola Panamericana de Porto Alegre, RS, também parte do nosso Projeto “O Artista na Escola”. As incansáveis ântropas Beth e Sílvia levaram as obras numa mala de viagem, montaram a exposição e ainda fizeram palestra sobre a Arte Contemporânea para estudantes, professores e convidados. De quebra, elas visitaram a Bienal do Mercosul, trazendo fotos e relatos do que viram por lá.

Antropoantro no Cubo Branco, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC), Campinas, SP.(julho-setembro) Nesta exposição, o Antropoantro apresentou um projeto coletivo - oito cubos de madeira de dois metros cúbicos cada – e trabalhos individuais das artistas, no interior de cada cubo. A montagem desta exposição ocupou quase duas semanas mas valeu! Ficamos felizes com o resultado.

Antropoantro na Galeria de Arte da Escola Comunitária, parte do nosso Projeto “O Artista na Escola” iniciado já há algum tempo. (abril-maio) Desta vez o local foi a Escola Comunitária de Campinas. Trabalhos individuais das artistas do grupo compuseram a exposição. Fizemos um encontro com algumas turmas, em especial com os alunos da ântropa Tina, uma gracinha de crianças cheias de perguntas das mais interessantes sobre os trabalhos expostos.

Antropoantro no Casarão, realizada no Espaço Cultural Casarão de Barão Geraldo de Campinas, SP. (março-abril) O Grupo Antropoantro teve seu projeto selecionado pelo Edital do FICC de 2006 para realizar essa exposição. Nela apresentamos o trabalho coletivo ENTRE (site-specific) no jardim de entrada do Casarão e uma exposição dos trabalhos individuais das artistas do grupo no interior do mesmo. Foi também oferecida uma palestra para interessados e uma oficina de arte. Antropoantro no Casarão fez parte do nosso projeto de ocupação de espaços alternativos para mostras de arte contemporânea.

Além delas, o Antropoantro trouxe a público quatro trabalhos da série que discute Tempo e Memória, iniciada em 2007. Foram divulgados quatro cartões postais com interferências feitas pelo grupo em monumentos públicos que, pelo hábito, se tornaram “invisíveis” aos olhos dos habitantes da cidade, parte que se tornaram do seu dia-a-dia. Intervindo nesses marcos relativamente “esquecidos”, deslocando-os para o campo da arte, o grupo Antropoantro coloca em foco não exatamente os locais escolhidos, mas o próprio ato de ver e a memória. Essas obras, como qualquer outra obra de arte, dependem do envolvimento das pessoas e, uma vez que as imagens sejam vistas, já transformam a memória de quem as viu.
Durante a Virada Cultural de 2007, em Campinas, o Antropoantro distribuiu cinco mil postais que retratam a instalação de uma foto do antigo Teatro Municipal de Campinas, demolido na década de 60, na fachada da loja que ocupou parte do seu lugar. Os cartões foram identificados como do grupo s/título. Já durante a abertura do 39º. Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba foi vez da divulgação de uma interferência na ponte pênsil (Descobrindo Volpi na Ponte Pênsil). O Antropoantro participou, ainda, da 4ª. Mostra Latino-Americana Vento Sul de Curitiba, Paraná com uma projeção d’A Escultura que não deu certo na fachada do Museu Oscar Niemeyer e durante a abertura do 14º. Salão de Arte Contemporânea de Campinas com a intervenção na fachada da Torre do Castelo (O que vemos, o que nos olha). Quem viu os cartões, certamente olhará esses "monumentos" com outros olhos...


Em novembro de 2007 foi criado o blog do Antropoantro, que veio se somar ao site
www.silviamatos.art.br/antropoantro na divulgação da produção e do pensamento do grupo. Um grupo de artistas que vive e atua em Campinas, que tem sua sede em Barão Geraldo (no Sílvia Matos Ateliê de Criatividade) e que continua cheio de planos e projetos para o ano que se inicia... Basta aguardar!

Adeus ano velho, feliz ano novo...

Foto de Vane Barini
Preparando-se para alçar vôo rumo a 2008, nosso Homem de Plástico contracena com Andréi Parmezan...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Contagem regressiva para 2008

Foto de Vane Barini

Iniciando a contagem regressiva para o Ano Novo, nosso Homem de Plástico dança com Letícia Marcondes Castiglia, no topo de um edifício no Cambuí.

Letícia faz parte da dupla de acrobatas campineiros (junto com Andréi Parmezan) que foi selecionada para participar do Cirque du Soleil no espetáculo Alegria. Veja mais sobre essa dupla de acrobatas no site www.akrobatus.com.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Antes tarde do que nunca!





Agora, depois de várias tentativas de assalto frustradas por pura sorte e do roubo efetivo de duas obras valiosas, o MASP implanta sensores e alarmes nas salas de exposição e reforça a segurança para proteger seu acervo... Contrata segurança terceirizada (isso é bom???) e passa a revistar mais rigorosamente os visitantes... (Cuidado, ladrões! Não levem a tela do Portinari e a do Picasso em suas bolsas quando forem visitar o MASP, viu? Vocês podem ser descobertos!)
E, é claro, a polícia continua a ouvir os funcionários... e a ver filmes de roubo de obras de arte, em busca de suspeitos!
Bom, antes tarde do que nunca, né?
Quem sabe algum dia ouvirá também os “colecionadores” e os que lavam dinheiro com obras de arte?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Esperança no ar...

Charge de Millôr


Polícia retoma investigação sobre o furto de obras no Masp, anuncia a Folha On Line de hoje...
E dessa vez os ladrões serão encontrados, na certa, porque os policiais responsáveis “foram orientados por seus superiores a passar o Natal assistindo filmes sobre crimes ou criminosos hábeis em tentar enganar a polícia, principalmente aqueles dedicados ao furto de obras de arte”.

Seria cômico, se não fosse trágico!

Ressaca de Natal...

Foto de Lalau Mayrink

O pobrezinho exagerou nas comemorações...

Beber demais dá nisso!


terça-feira, 25 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL DO ANTROPOANTRO

O Grupo Antropoantro deseja a todos um Feliz Natal!
Foto de Vane Barini

Natal sem sinos

No pátio a noite é sem silêncio.
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?

Ah meninos sinos
De quando eu menino!

Sinos da Boa Vista e de Santo Antônio,
Sinos do Poço, do Monteiro e da igrejinha de Boa Viagem.

Outros sinos
Sinos
Quantos sinos!

No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
De quando eu menino.
Bimbalhai meninos,
Pelos sinos (sinos
Que não ouço), os sinos de
Santa Luzia

Manuel Bandeira – OPUS 10
Rio, 1952


segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Véspera de Natal...

Foto de Olívia Niemeyer


(...)
Vi nascer um deus.
Onde, pouco importa.
Como, pouco importa.
Vi nascer um deus
em plena calçada
entre camelôs;
na vitrine da boutique
sorria ou chorava,
não sei bem ao certo;
a luz da boate
mal lhe debuxava
o mínimo perfil.
Vi nascer um deus
entre embaixadores
entre publicanos
entre verdureiros
entre mensalistas,
no Maracanã
em Para-lá-do mapa,
quando os gatos rondam
a espinha da noite
os mendigos espreitam
os inferninhos
e no museu acordam as telas
informais
e o homem esquece
metade da ciência atômica:
vi nascer um deus.
O mais pobre,
O mais simples.


Carlos Drummond de Andrade – Vi nascer um deus – Lição de Coisas

domingo, 23 de dezembro de 2007

Dois dias para o Natal!


Foto de Olívia Niemeyer



O horizonte azul e verde
vai sendo roxo e amaranto
e as nuvens todas se acabam,
e uma estrela vai chegando,
– para levar o menino
que vai levando o rebanho.

Cecília Meireles – Metal Rosicler – poema 40

sábado, 22 de dezembro de 2007

Calma


Foto de Vane Barini

Calma.
É preciso ter calma no Brasil
calmina
calmarian
calmogen
calmovita.

Carlos Drummond de Andrade – Receituário Sortido – Discurso da Primavera

O Natal está chegando...

Foto de Olívia Niemeyer


O Natal chega logo.
Três dias mais e ele está aí.
Você, com certeza, NÃO vai ganhar obras de Portinari e Picasso de presente.
Mesmo assim o Antropoantro lhe deseja um Feliz Natal!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Ainda o roubo no MASP

Infográfico publicado na página da UOL Notícias

Que gracinha!
Os alarmes do MASP foram desligados depois da tentativa de roubo em outubro! Isto porque disparavam durante a noite... A notícia está na página da UOL.
Será que estavam querendo facilitar a ação dos ladrões na sua nova tentativa bem sucedida? Afinal, apesar de não serem de última geração, os alarmes evitaram o assalto de outubro...
E, evidentemente, o acervo não era segurado. Também, de quê adiantaria um seguro, não é? Obras de arte não são como carros roubados que podem ser substituídas, já que são únicas!
Mas essa história do alarme desligado precisa ser muito bem explicada...
E os mandantes do crime, quem os encontrará?
Ou vai sobrar para os vigias?


Falta só um pouquinho e o Natal chega

Foto de Olívia Niemeyer

Em quatro dias o Natal está aí!

Os ladrões do MASP já providenciaram presentes para os seus patrões...

E você, já assaltou um museu hoje?

Ou foi ao Shopping comprar suas lembrancinhas?

Papai Noel, por favor, traga de volta as obras roubadas do MASP!


quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Absurdo brasileiro: Portinari e Picasso roubados do MASP


Um absurdo brasileiro: as duas telas mostradas acima foram roubadas do MASP na madrugada de hoje!
A da esquerda é "O lavrador de Café", um óleo sobre tela de 100 cm x 81 cm, uma das mais populares obras de Portinari, pintada em 1939.
A da direita é "Retrato de Suzanne Bloch", tela de 65 cm x 54 cm, uma das últimas da chamada "fase azul" de Picasso, pintada em 1904.
Os ladrões levaram cerca de três minutos para entrar no museu e roubar as telas que, segundo o noticiário, estavam em salas separadas, no segundo andar.
O grande absurdo é que o MASP tinha já sofrido uma tentativa de assalto em outubro e, somos informados agora pela imprensa, não havia alarme nas portas arrombadas hoje, agora pela segunda vez, com sucesso...
Por que não cuidaram da segurança do museu após a primeira tentativa de roubo? Ou melhor, por que não cuidaram da segurança do museu antes?
As duas telas valem, juntas, cerca de cem milhões de reais. O roubo é considerado obra encomendada por algum colecionador que as deseja para deleitar-se com elas à sós, já que tentar vendê-las seria uma temeridade. Na certa faltava a letra P nessa coleção!
Quantos colecionadores de arte há nesse mundo? Não devem ser tantos assim, porque a riqueza, como sabemos, está concentrada na mão de poucos!!!
Será que esses ladrões serão encontrados? Os ladrões, se considerados como os três ou quatro homens que a câmera do circuito interno flagrou mal e porcamente, talvez sejam...
Mas, e aquele/aqueles que encomendaram as telas - os papais noéis de extremo bom gosto - serão identificados? Devolverão as telas às paredes do MASP para que sejam vistas por milhares de pessoas?

Cinco dias... e é Natal de novo!

Foto de Olívia Niemeyer

Ache o Homem de Plástico e ganhe um Natal feliz...

... ou, se preferir, um espaço no vazio da bienal!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Seis dias para o Natal...

Foto de Olívia Niemeyer

Nosso homenzinho de plástico aguarda grandes presentes para o Antropoantro no próximo ano...

Sairá o nosso livro?

Participaremos da Bienal do Vazio?

Papai Noel existe?


terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Espírito natalino... uma semana para o Natal

Foto de Olívia Niemeyer

Entrando no espírito do Natal, nosso Homem de Plástico posa com decoração natalina de São João da Boa Vista...


segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

MUSEU DO VAZIO - Entrando no vazio da Bienal...

Foto de Vane Barini
Nosso Homem de Plástico flagrado quando invadia o vazio da Bienal, pela nossa super-fotógrafa de plantão...

MUSEU DO VAZIO - Ainda o vazio na 28a. Bienal Internacional de São Paulo

Reproduzimos o texto do crítico de arte e curador da Fundação Eva Klabin, Marcio Doctors, em que ele apresenta o projeto curatorial, que ele e Ivo Mesquita apresentaram inicialmente à Fundação Bienal, para a 28a. Bienal Internacional de São Paulo e explica as razões de sua retirada.
Como noticiado na imprensa, o projeto não foi aceito, Marcio Doctors se afastou e Ivo Mesquita assumiu a Bienal do Vazio.
E a polêmica se instalou entre críticos, curadores, galeristas e até artistas (a última ponta da corda do mercado de arte e a menos importante ao que tudo tem indicado até o momento...).
O projeto parece até interessante - um momento para refletir (em 2008) e um momento para realizar (em 2010), mas não foi aceito pela Fundação Bienal que só se comprometeu com o vazio...
Este texto de Marcio Doctors foi publicado pela Folha, em 14/11/2007.


Lalau Mayrink. Vazio na Bienal 2. 2007
O vazio não deve ser visto como o nada

MARCIO DOCTORS, ESPECIAL PARA A FOLHA.

Como estive envolvido durante dois meses nas negociações da 28ª Bienal Internacional de São Paulo, gostaria de tornar pública minha participação neste processo e expressar meu ponto de vista a respeito do projeto e das soluções que eu e Ivo Mesquita apresentamos, visando solucionar o impasse em que a Bienal se encontra. Ao juntar esforços e dividir a curadoria, nossa intenção era enfrentar a falta de tempo que teríamos para a realização da próxima Bienal . Após análise dos dois anteprojetos, decidimos juntá-los e propor uma conferência e uma exposição, cujo tema seria o vazio. Nossa primeira idéia foi a de manter a conferência, nos moldes tal como está sendo divulgado, e uma exposição sobre o vazio no segundo andar do Pavilhão. Como as negociações avançavam lentamente para o pouco tempo que restava e como ficava cada vez mais evidente que havia limitações financeiras que inviabilizariam os custos de uma Bienal "completa", julgamos que seria oportuno dividir a 28ª Bienal em duas etapas: em 2008, uma conferência, e, em 2010, uma exposição. O que ligaria estes dois momentos seria o tema do vazio. Em 2008, a exposição do vazio como manifesto espacial -esta é a razão do segundo andar vazio- e como gesto radical de afirmação de que a Bienal instauraria o vazio para se repensar. Importante: o educativo trabalharia com a idéia do vazio como a energia que permite a invenção na arte; e a conferência incluiria uma linha de trabalho sobre o tema, fortalecendo o conceito da segunda etapa. Em 2010, a exposição sobre o vazio. Preenchendo e justificando o gesto inaugural da primeira etapa e consolidando a pertinência da proposta, a apresentação do vazio como uma instância ativa e não niilista -como o outro que propicia que as coisas aconteçam no processo inventivo da arte. A exposição estaria estruturada em 3 núcleos:
1- O sempre outro. Artistas que não temem o imponderável e o mistério e que buscam na mudança o fio condutor de seu pensamento plástico. Este núcleo teria como centro a artista Lygia Pape.
2- O vazio ativo (Mira Schendel). O vazio como elemento ativo na constituição da obra plástica e do processo de invenção do artista e que garante a dimensão metafísica da obra de arte como imanência e não como transcendência.
3 - Rede de afetos. A arte como forma de dissolver o massacre do cotidiano e estrutura capaz de rearticular as relações do homem com o mundo, ao trazer à superfície da visibilidade, situações que são percebidas como invisíveis.
A Bienal em duas etapas tinha como objetivo imediato resolver as limitações econômicas e de tempo que a Fundação Bienal nos apresentou. Haveria três anos para realizar a 28ª edição de maneira tranqüila e conseqüente. E como objetivo conceitual, explicitar que no processo inventivo da arte o "vazio" não pode e não deve ser confundido com o nada porque é a possibilidade de tornar visível, o invisível. Durante todo o processo de negociação fui buscando soluções que abrissem portas e que permitissem superar as dificuldades porque meu compromisso fundamental é com a Bienal. Na última reunião, o presidente da Fundação Bienal, Manoel Pires da Costa, declarou que não tinha como garantir o projeto da 28ª Bienal em duas etapas e que só poderia se comprometer com a conferência em 2008. Diante deste fato, de fragmentar o projeto original, julguei que seria mais coerente me retirar porque não via sentido dissociar o projeto da conferência e da exposição do segundo andar vazio (2008) de uma exposição sobre o vazio (2010).

domingo, 16 de dezembro de 2007

Parabéns, Beth!

Beth Schneider. Jogo de Damas. Instalação com 10 imagens impressas em lona 150 cm de altura. No chão, lona quadriculada de 350 cm de largura x 350 cm.

Parabéns, ântropa Beth!

Muitas felicidades e muito sucesso!


sábado, 15 de dezembro de 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A arte e a educação do olhar - o ensino da arte por quem faz arte

Antropoantro na Escola Comunitária de Campinas - Alunos aprendem sobre o trabalho Resta Um de Inês Fernandez (foto de Olívia Niemeyer)


Antropoantro na Escola Pan- Americana de Porto Alegre - Beth Schneider, de costas, fala para os alunos sobre o seu trabalho (foto de Sílvia Matos)


“Criar arte é ver o mundo como que pela primeira vez. É buscar a origem, o gesto que o fundou. É re-aprender cada coisa, cada objeto, é dar novos significados às coisas existentes, é re-inventar, é re-conduzir, é re-construir.” (Frederico Morais)

A arte, assim como a vida, está presente em todos nós, cabe-nos ajudar a desenvolvê-la. A formação do nosso olhar é feita olhando o invisível, a essência da alma, as particularidades do mundo. Mais importante que a construção de um artista é a construção da sensibilidade à Arte. É desta maneira, que nos conscientizamos da beleza e das tristezas que nos rodeiam, e, conseqüentemente, comprovamos a importância da nossa participação no mundo.

Texto de Tina Gonçalez

Parabéns prá você!!!

Vane Barini. COM-VIVER -Plotagem de fotografia com interferência em laboratório.
160 cm x 100 cm. Espelho no chão.

Parabéns, ântropa Vane!

Muitas felicidades no seu aniversário!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

MUSEU DO VAZIO - Vazio na Bienal

Lalau Mayrink. Vazio na Bienal 1. 2007. Objeto escaneado


Fala da artista paulistana Carmela Gross:

"Acho que um processo de reflexão pode ser bom, mas pensar criticamente a partir de documentos históricos, espaços vazios ou abertos à participação requer tempo e intensidade de trabalho e deveria ser um pressuposto para a realização de uma mostra de arte do porte da Bienal e não estar no lugar desta"(...)"enquanto os artistas e suas obras aparecerem como figuração fantasmática dentro uma estrutura fortemente armada em termos não-artísticos, acho difícil avançarmos".

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

ANTROPOANTRO no 14o. Salão de Arte Contemporânea de Campinas




"O que vemos só vale - só vive - em nossos olhos pelo que nos olha"

(Didi-Huberman: O que vemos, o que nos olha)

Vista de dentro do Castelo



Vista do Castelo



Av. Andrade Neves vista do Castelo


Trabalho do Grupo Antropoantro apresentado durante a abertura do 14o. Salão de Arte Contemporânea de Campinas, dia 11 de dezembro de 2007. Intervindo em monumento histórico de Campinas, o Antropoantro pretende colocar em foco não exatamente o local escolhido, mas o próprio ato de ver e a memória dos moradores, considerando que o hábito e a convivência constante acabam provocando uma espécie de "cegueira" que torna tudo invisível. A torre do Castelo foi construída para possibilitar a vista e para que fosse vista de vários pontos da cidade (antes de ser cercada por outras "torres" de cimento...).



As vistas do interior do Castelo e de seus arredores (a vista possível, atualmente) foram fotografadas por Inês Fernandez.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Primórdios do Grupo Antropoantro.


As imagens são do convite para a exposição e de reportagem do Jornal Correio Popular de 25/05/2000.
Clique sobre a reportagem para ler.
Gradeação – 2000 – Exposição no Sílvia Matos Ateliê de Criatividade

A exposição Gradeação aconteceu em 2000 e foi a primeira coletiva dos futuros membros do Grupo Antropoantro. Surgiu da discussão, durante seminários de Carlos Fajardo, sobre a questão da “grade” nas artes visuais.
A idéia da grade deriva do trabalho de Piet Mondrian, para quem a essência das coisas vistas/percebidas seria capturada apenas a partir de uma reflexão profunda da mente, independente da percepção mesma. Nas suas obras (do período de 1920 a 1940), Mondrian segue uma seqüência de parâmetros simples: os elementos da linha, do plano e das cores fundamentais. Estes elementos formam uma grade de coordenadas que estruturam quadros de tamanhos diversos, com as cores elementares e mais o branco como luz ou o preto. Este trabalho resulta da postura crítica que Mondrian assumiu diante do Cubismo - que ele considerava como não suficientemente racional - e de seus interesses filosóficos e religiosos. De Gradeação participaram Lalau Mayrink, Maria Bernardes, Mirian Norking, Rosali Plentz, Sílvia Matos, Tina Gonçalez, Vera Orsini e Walma Magalhães. A exposição foi realizada no Sílvia Matos Ateliê de Criatividade de 25 de maio a 18 de junho de 2000 e na sede da Associação dos Artistas Plásticos de Araçatuba (SP) de 10 a 30 de novembro do mesmo ano.
Veja alguns trabalhos:
Tina Gonçalez – Por Entre
Rosali Plentz – s/ título

Passagem de Olhares de Sílvia Matos e o trabalho de Vera Orsini – s/ título

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Em homenagem ao nosso Blog récem nascido...





... fotos das récem-nascidas corujinhas da vovó Coruja...

Parabéns prá nós! Um mês de Blog no ar...



Parece impossível, mas é a pura verdade!
Este Blog do Antropoantro comemora, hoje - 10 de dezembro de 2007 -, o seu primeiro mês de vida!

Ainda um bebezinho récem-nascido... mas berrando a plenos pulmões, mais forte do que os netinhos da turma de vovós do Antropoantro.

Parabéns prá nós! Vamos em frente, meninas!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Hora da saudade: reuniões com Fajardo no Sílvia Matos Ateliê de Criatividade


Hoje voltamos no tempo para relembrar os Seminários de Carlos Fajardo. A partir de 1999, no Sílvia Matos Ateliê de Criatividade, estes seminários foram realizados a cada semestre, até 2004, discutindo os temas mais variados: a arte da instalação, o pensamento da bidimensionalidade no século XX, o índice, a temporalidade e a arte da instalação, a questão do lugar específico, Gerhard Richter e o ready-made, entre outros. Foram momentos trabalhosos, de muita leitura e discussão, mas extremamente ricos e agradáveis também, que rendiam trabalhos a partir de questões e projetos propostos por Fajardo. Nestes cinco anos o sentimento de grupo foi-se constituindo, até que se formatou no grupo Antropoantro, nome escolhido entre várias sugestões e após calorosa discussão.
As fotos foram tiradas em 2001, durante a realização do Seminário sobre o Índice. A primeira delas mostra um momento em que Fajardo e o grupo viam e discutiam o trabalho de uma das artistas (na época, fotografávamos "índices", à escolha de cada uma). Na segunda foto, aparece Carlos Fajardo tendo como pano de fundo um trabalho de Sílvia Matos. Ambas as fotos saíram do baú de lembranças de Sílvia Matos.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Um pouco mais da 6ª Bienal do MERCOSUL

Álvaro Oyarzún


Já falei da minha paixão na Bienal do MERCOSUL (veja matéria anterior). Agora, lendo que um recorte da mostra “Conversas” vem a São Paulo, não posso deixar de afirmar que quem não teve a oportunidade de ir à Porto Alegre deve aproveitar essa chance e visitar o Instituto Tomie Ohtake que recebe a partir do dia 6 de dezembro um pedaço deste evento. Em especial o módulo reservado ao artista chileno Álvaro Oyarzún nos agradou bastante (a mim e a Beth Schneider) porque notamos uma afinidade muito grande desse artista com o trabalho do Grupo Antropoantro. Conforme a proposta de Gabriel Pérez-Barreiro, curador responsável pela Bienal do MERCOSUL, o artista convidado Álvaro Oyarzún pode escolher dois outros artistas para dialogar com sua obra. À partir desta escolha, um quarto artista foi incluído para compor o módulo. Esse foi o diferencial desta Bienal: reforçar o papel do artista, diminuindo o poder do curador.

As obras dos três artistas que compõem essa mostra realmente conversam entre si. Álvaro Oyarzún apresenta centenas de pinturas, desenhos e fotos de um boneco de cenoura, formando mini crônicas, como num desenho animado. Os campos de cor feitos com massa de modelar, de Magdalena Atria, num primeiro momento remetem à optical art. Porém, quando visto mais de perto, observamos que o trabalho discute a pintura através de um material usado para modelagem. Já Josefina Guilisasti, à primeira vista, parece montar vários nichos com animais de porcelana. A pintura é tão perfeita que parece que estamos frente às peças de porcelana. No fundo, cada um dos artistas à sua maneira, trata da pintura, seu estudo, seu processo, material e técnica. Para completar essa sala, o vídeo interessantíssimo dos artistas suíços Peter Fischli & Davi Weiss “Do Jeito que as Coisas Vão” (sem comentário, só vendo) . Óbvio que os outros módulos merecem a visita, mas esse me impressionou de uma maneira particular.

Magdalena Atria



Josefina Guilisasti

Texto e fotos de Sílvia Matos

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Exposição em Porto Alegre - RS

Arte e Poesia


Retrato do Pai Tanguy

Só é possível calcar um tanto
no oblíquo dos seus olhos
graças às gravuras que
(por trás, no mural)
se aplicam em contar algo.
É assim que o Oriente invade seus traços
e que o monte Fuji faz do seu chapeau

um pontudo e circular
chapéu de bambu.



O poema é de Maria Lúcia Dal Farra, publicado em Livro de Possuídos. 2002. São Paulo: Editora Iluminuras.


Poetas são pintores que usam palavras no lugar de tintas e pincéis.
A autora comenta sobre a série de poemas (que falam de quadros de Van Gogh e Klimt) que abre o livro: (...) registrei apenas a emoção fortuita, fulminante, que o olhar sobre o quadro imprimiu de imediato em mim. São peças pequenas, geradas de rápidas pinceladas, cujo teor inicial conservei sem bulir e sem aceder a que fossem coadas pelo juízo soberano da palheta ou do arco-iris. Restaram quase em exato da forma como foram capturadas inauguralmente.(...)


Père Tanguy. Tela do período parisiense do pintor. Tanguy era um comerciante de arte, amigo de Cézanne, Pissarro, Monet, entre outros. Tanguy conservou este retrato até o final da vida, prova da amizade que reuniu a ambos. A salientar, na tela, o fundo, atrás da personagem, recoberto de estampas japonesas, que desempenharam importante papel nas artes européias do final do século XIX. Van Gogh as admirava e chegou a ter uma coleção destas gravuras. A pincelada vigorosa e as cores intensas são indicações de seu estilo maduro de pintar. (Na ilustração, Retrato de Pere Tanguy 1887-8, óleo sobre tela, 92x75 cm, Museu Rodin, Paris).
(informação obtida do Google, em:
www.auladearte.com.br/historia_da_arte/van_gogh.htm
foto escaneada do livro Vincent Van Gogh da Coleção Folha Grandes Mestres da Pintura)

A FORMAÇÃO DO OLHAR ATRAVÉS DAS VISITAS A MUSEUS

Inês Fernandez: Resta Um - 2007 - Instalação - 33 vasos de cerâmica, 1 bonsai, uma base de madeira 80x80x20 cm.
Alunos apreciam trabalho da Inês


A visita a museus deveria ser uma prática constante nas aulas de Artes Visuais de todas as escolas. Nestas visitas, o aluno tem contato com as obras originais o que propicia que a sua bagagem cultural seja ampliada através da observação e da análise das obras. A estimulação para que o aluno desenvolva esta vivência é promovida pela prática de freqüentação aos museus e exposições relevantes de arte.

A formação do gosto advém do entendimento da arte, que depende da estimulação do olhar e da compreensão do produto artístico. O objeto artístico produzido em uma época anterior é mais fácil de ser compreendido, visto que o período histórico já foi analisado. No entanto, no que diz respeito à arte contemporânea, a situação torna-se mais complexa. Afinal, o momento histórico ainda está acontecendo. A arte contemporânea, por sua vez, não é uma arte de fácil entendimento, requer que haja uma intermediação entre o público e a obra. Esse é um dos papéis da instituição cultural frente à sociedade – capacitar educadores que criem uma interlocução com a sociedade de modo geral, principalmente com o público escolar.

Formar o olhar das crianças e adolescentes para a arte é propiciar uma integração com a sociedade e com o mundo em que se vive.

Beth Schneider: Corpos - 2007 - Tinta óleo, bonecos de plástico, tinta automotiva, madeira.

Alunos apreciam trabalho de Beth

Texto e fotos de Tina Gonçalez

(As fotos são da exposição do Antropoantro na Escola Comunitária de Campinas, realizada em abril-maio de 2007)