sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ARTE – EDUCAÇÃO



Serviço educativo do Grupo ANTROPOANTRO

Produzir arte é apenas umas das funções do Grupo Antropoantro. Vincular as reflexões artísticas a uma prática educativa é um outro viés dessa produção.


Atento às transformações, o Antropoantro também procura se inteirar do mundo educacional, expondo suas obras nas instituições de ensino superior ou mesmo nas instituições de I e II graus, aproximando a arte da sociedade de um modo geral. Na concepção do grupo, a arte não está vinculada apenas a espaços específicos, é necessário que o artista procure novos lugares e comungue as suas ações com o público freqüentador daquele local.


Diante disso, a ação educativa já está instaurada, a convivência com a obra de arte promove que o freqüentador sinta-se estimulado a procurar entender aquela produção artística. De alguma maneira, haverá uma transformação na forma deles compreenderem e absorverem a arte.
(As fotos foram tiradas por ocasião da exposição do Grupo Antropoantro na Escola Comunitária de Campinas, em abril/maio de 2007)
Texto e fotos de Tina Gonçalez

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Mais um no Motomix

Olha quem mais está no MotoMix, entre outros! A programação é bem grande mas destacamos a Mirella Brandi e Albano Afonso. Anexo, aqui, fotos do trabalho da Mirella, que é uma pessoa querida do Antropoantro porque foi a iluminadora da nossa exposição Kairós. Sucesso prá ela e para o nosso amigo Albano.







terça-feira, 27 de novembro de 2007

Olhares do Alto Rio Negro




"Fui ao Mube ver as fotos que Fabio Atui tirou no Alto Rio Negro. Enquanto cortava, costurava e enfaixava (não, não são fotos de moda, Fábio, ortopedista, faz parte dos Expedicionários da Saúde), achou tempo para registrar, em branco e preto ou em cores, a população indígena da Amazônia: crianças brincando, estudando, ou só olhando para a câmera, vestidos de camiseta e calção, adultos em seus rituais, descansando na rede, o rio, canoas, tudo muito simples e diferente. Quem sabe as ântropas não tiram umas férias e vamos todas para o Norte? vontade não falta. Quem sabe o Fabio e a Clara vão de cicerones?" Olivia Niemeyer

domingo, 25 de novembro de 2007

Abrindo o baú do Antropoantro...

Kairós, a primeira exposição.

Suzana Mas, a 'madrinha' do grupo

Olívia com Julieta Machado e equipe, organizando a montagem da exposição


A exposição recebendo a visita da artista visual Nair Kremer

As fotos são do making of da primeira exposição do grupo Antropoantro, intitulada Kairós, que depois se transformou em uma exposição itinerante e aconteceu em 2002 em São Paulo.

O grupo estava na sua primeira configuração: Alice Grou, Beth Schneider, Inês Fernandez, Lalau Mayrink, Maria Bernardes, Olívia Niemeyer, Sílvia Matos , Suzana Más, Vera Costa/Pellegrini , Tina Gonçalez e Walma Lina (que fazia parte do grupo, mas não participou da exposição).

As fotos eram analógicas, os ânimos altos e as ântropas mais jovens... Suzana Más, que aparece, na foto, por trás do trabalho de Olivia, sugeriu o nome Antropoantro (porque ficava legal escrito). Ela agora mora em Curitiba. Vera Pellegrini e Maria Bernardes sairam do grupo para a área acadêmica. Alice Grou seguiu carreira solo...
Texto e fotos de Olívia Niemeyer

sábado, 24 de novembro de 2007

ANTROPOANTRO NO CUBO BRANCO


ANTROPOANTRO NO CUBO BRANCO

MACC Campinas-2007 Passeando pelos Cubos no Cubo Branco Oito caixas (fechadas?) de madeira rústica, cada uma com seus desenhos de nós. Cubos no enorme Cubo Branco do museu. Mundos fechados? O que guardam? Como desvendá-los? O caminho, cada um que trace o seu. Eu começo pelo meu lado esquerdo Walma Lina expõe uma jóia minimalista em sua simplicidade. Sem Título. O minúsculo cubo dourado brilha sobre um pedestal quase invisível, lança sombras geométricas no cubo de madeira suporte de escultura – cubo sobre cubo dentro de cubo dentro do grande Cubo Branco da galeria. Formas multiplicadas. O contraste de tamanhos. Formas encaixadas umas nas outras, o grande contendo o mínimo. Caixa de jóia? Quem viu as imensas colunas moles instaladas na Esamc, ou os rolos/rodas de cor instalados no Casarão se espantou com o cubinho/jóia do MACC. O parentesco com os objetos geométricos mostrados na Comunitária salta aos olhos – o cubinho é um irmão menor e mais traquinas, mais sofisticado também na sua linha dourada que se opõe à pobreza do barbante. Trabalho de desenhista tecelã que brinca com desenhos formados na trama do crochê, nas formas tecidas com esmero. Beth Schneider e seus Ex-votos, o universo religioso retomado ironicamente na capela de... Banca de Revistas? Quem chega na “porta” desta capela é logo avisado, por um texto carimbado no chão, que se trata de lugar de exposição de Ex-votos. Mas, as paredes, ao invés das usuais peças de cera agradecendo milagres, estampam um emaranhado de revistas que se sobrepõem, formando relevos e confundindo a vista. Há alguma coisa ali, não são apenas revistas cobrindo paredes. O dourado dos carimbos vai surgindo aos poucos, conforme o expectador se movimenta e a luz incide sobre GRAÇAS ALCANÇADAS AGRADEÇO. Sutileza de carimbos dourados agradecendo graças alcançadas em escândalos/notícias sensacionalistas que fazem capas coloridas de revista de alcance nacional. Agradecer escândalos? Desgraças? Corrupção política? São essas as graças que temos alcançado? Na linha das santinhas sorridentes (Kairós), do pedido de perdão escrito na areia que ocupa no chão da faculdade (Esamc), do jogo de damas santas versus damas mundanas (Casarão), a ironia é a marca do trabalho de Beth Schneider. Ela não consegue escondê-la, nem querendo. Mesmo ao lidar aparentemente só com cores (Comunitária) o preconceito racial é discutido na ironia dos bonequinhos pintados. Inês Fernandez propõe a fragilidade do Inviolável. Uma cortina de correntes impede a entrada num espaço vazio onde brilha, em néon, a palavra Inviolável. A branda interdição detém os adultos que, obedientes, apreciam da porta as paredes pintadas e o letreiro que apenas avisa, no seu branco de luz, sem ameaçar. O tapete convida os pés e reflete a sombra das correntes. Violar o inviolável, só mesmo a primeira criança que, num rompante, afasta as correntes de plástico - antes tão pesadas no seu marrom escuro de ferro fingido - e entra no recinto abrindo caminho aos adultos. A irreverência da criança dá o exemplo. Inês Fernandez brinca com o sentido das palavras, questiona a violação constante de nossos frágeis invioláveis, supostos “direitos” sempre e cada vez mais violados. Como fez em Descontrole, mostrado no Casarão, ou no Resta um, da Comunitária, ou ainda no Vendo Arte da Ocupação na Esamc, a artista brinca com palavras e expressões, com suas ambigüidades, polissemias, num jogo de lingüista intuitiva. Olívia Niemeyer leva-nos a Caixa da Memória. Paredes forradas de reproduções em preto e branco de uma foto antiga, meio embolorada, de uma figura de mulher num antigo vestido de baile? A legenda - Vestido de Baile - não deixa dúvidas. Que baile foi esse? Que mulher é essa? Os rasgos irregulares do arrancar dos papéis que forram as paredes traduzem um tempo já passado, mas que deixou marcas, que se reproduzem infinitamente e de maneira sempre nova e igual em memórias, refletidas, multiplicadas nos muitos espelhos, nas frágeis transparências e nos lampejos caleidoscópicos que dançam e brincam no chão querendo fugir (ao controle?). Uma nostalgia do passado toma conta da gente. Uma nostalgia que aparece também na Série Animal (mostrada no Casarão), aí sob a forma de desenhos sutis que são como fantasmas do passado rasgando a tinta das telas. Sílvia Matos. Ela também está lá, nas linhas de astúcias, de fios e de tramas... Bem no centro, ela também tece, no semicírculo de mulheres/deusas tecelãs, retratadas não mais com tintas e pincéis como costumava fazer (e que beleza são os retratos de Sílvia Matos!), mas com modernos instrumentos digitais! O fundo espelhado e a transparência das fotos refletem e incluem o expectador neste círculo que tece... o quê mesmo? Retratando as artistas do grupo, a obra traz à baila a mútua influência, o fazer junto de uma raridade que é um grupo de artistas que produz coletivamente mantendo, sempre, a individualidade de cada membro. O coletivo faz-se do individual. Ao incluir neste círculo de tecelãs o expectador, o outro, aponta-se para o fato de que a obra de arte é também trabalho de quem a aprecia e não simplesmente de quem a propõe. Como na linguagem, o diálogo eu/outro é constitutivo do fazer artístico (tinha razão Bakhtin). Tina Gonçalez propõe um diálogo com Malevitch, nada mais, nada menos. No cubo forrado de tela branca - chão e paredes - surge o Branco sobre Branco de Malevitch, em reprodução plotada. As pegadas de quem entra para ver de perto, marcadas na tela que cobre o piso, introduzem novos tons no branco sobre branco, deixando claro e evidente que há brancos e brancos, que a pintura está longe de acabar. O cubo é ele mesmo uma pintura em branco sobre branco onde a tinta não entra, é fugidia como a tinta na água que as mãozinhas de crianças tentam alcançar (no trabalho apresentado na Comunitária). Assim como as fissuras nas paredes - fotografadas por Tina Gonçalez (Casarão e Esamc) - tornam-se pinturas, a instalação apresentada em Diálogo com Malevitch pode ser vista como pintura. Tina Gonçalez é uma pintora que não usa pincéis! Vane Barini, quem disse que ela é fotógrafa? Com Fora de Si ela surpreende os apreciadores de sua arte como fotógrafa, aqueles que esperavam ver fotografias. Um cubo todo pintado de branco, com uma escada também branca encostada no fundo pode até ser fotografado e resultar em belas fotos, mas não é fotografia. No entanto, ele tem tudo a ver com fotos feitas por Vane Barini. O que há de comum entre Fora de Si e os retratos mostrados na Comunitária, o Com-viver apresentado no Casarão, e o trabalho Sem Título instalado nos vidros do hall central da Esamc? Os três últimos são fotografias, mas o que os distingue e une a Fora de Si é o ponto de vista inusitado que apresentam: os retratados de costas para a câmera, a multidão exposta numa fotografia invertida de ponta cabeça, os deta

lhes minuciosos de um jorro de água. Fora de Si, em sua singela brancura, convida o freqüentador de No Cubo Branco, a ver a exposição de um ponto de vista inusitado – do alto da escada, numa visão de cima. Uma visão que abarca todo o espaço do Cubo Branco, que permite apreciar os outros sete cubos (e o meio teto do oitavo) de um outro ângulo e em conjunto, que possibilita outras visões do público, das sombras, das coisas, de todo o conjunto da exposição. Fora de Si aponta para todo o trabalho de Vane Barini: a busca constante de pontos de vista inusitados, outros... Lalau Mayrink Lalau Mayrink. Mafagafos ao Cubo. Pequenos retângulos e quadrados de papel desenhados cuidadosamente com caneta esferográfica, alternando vermelho, azul e preto. Insetos e animais estranhos, imagens sem referentes, frases indecifráveis e pequenas esferas compõem um universo agrupado sem rigor obsessivo, figuras insólitas costuradas pelo vermelho vivo que aparece nos entremeios. Partindo de um processo de aparente simplicidade - “ócio criativo” poderíamos pensar - Lalau Mayrink explora a força da acumulação de mais de 2000 desenhos. É impossível nos contentarmos com uma contemplação passiva, é preciso entrar no jogo, deixar o olhar correr levemente sobre os papéis, aproximar-se ao acaso, explorar detalhes, investir na criação de significados com elementos díspares: um estado de espírito. A leveza dos desenhos é reforçada pelo ritmo instável criado pela sucessão de espaços vazios e cheios. Inesperadamente, apesar do trabalho de Lalau se inserir vigorosamente na contemporaneidade, podem vir à memória as galerias e os museus de antigamente, onde as obras cobriam as paredes de alto a baixo, bem antes da invenção do “cubo branco”, conceito que motiva essa exposição do grupo Antropoantro. Olívia Niemeyer

Em São João da Boa Vista... verde que te quero verde!





As fotos foram tiradas por Olívia, na varanda da casa do Marcondes. Ao fundo aparece a Serra da Mantiqueira.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Antropoantro visita São João da Boa Vista

O Antropoantro visitou, ontem (22/11), rapidamente, o Departamento de Cultura e Turismo de São João da Boa Vista. Fomos muito bem recebidas pelo Sr. Hélio e pela Diretora de Cultura, Sra. Sônia Regina Pavani Binatti Peluque que estava, pessoalmente, coordenando os trabalhos de preparação da decoração natalina da cidade. Nossa versão miniatura da Escultura que não deu Certo posou para fotos junto a peças desta decoração que está ficando muito bonita e de extremo bom gosto. Vimos uma amostra dela já instalada nas ruas da cidade.



Depois estivemos na residência do artista plástico José Marcondes que nos recebeu com a maior simpatia, uma conversa muito estimulante sobre arte e artistas e um lanche gostoso e mineiro como os donos da casa. O nosso homenzinho de plástico não resistiu a tentação de se sentar na varanda e ser fotografado com a Serra da Mantiqueira ao fundo. As belas telas de Marcondes foram devidamente apreciadas bem como a agradável companhia dele e dos amigos presentes no momento de nossa visita surpresa.


Nosso enviado especial à Bienal do Mercosul


Ele não perde uma chance de aparecer...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

PAIXÃO na 6ª Bienal do MERCOSUL

Noturno, variação sobre o Noturno Nº 1 de Erik Satie, 2002


Fonte, 2006 . Luz, fio metálico, plástico. 300 x 60 x 60 cm
Eu e a Beth Schneider fomos à 6ª Bienal do MERCOSUL, ao mesmo tempo que montamos uma exposição do Grupo Antropoantro, em Porto Alegre (mas esta é uma outra história). Logo no primeiro dia, vimos a exposição de Jorge Macchi, no Santander. Fiquei fascinada pelos trabalhos deste artista. Suas obras são conceituais, inteligentes, poéticas, musicais, intrigantes, misteriosas e muito atraentes. É o tipo de artista que não se repete e cada trabalho é uma nova surpresa que faz com que você fique ansiosa para ver o próximo(isso se conseguir se desvencilhar da anterior). As obras acima, que fotografei, são um pouquinho do muito que foi apresentado Jorge Macchi. Realmente, uma paixão.
Logo abaixo, nosso amigo, enviado especial à Bienal, fotografado no cais do “Marulho” do Cildo Meirelles, outra paixão. Quem não viu essa obra ao vivo imagine que aquele azul ondulante é feito com centenas de livros abertos com fotos de mar. Notem o anel da Beth no canto esquerdo da foto Marulho 2 .

Marulho 1




Marulho 2

Assina Sílvia Matos

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sobre os indecidíveis decididos... ou imitação é arte?


E a conversa das duas continua, agora a propósito de algo que foi enviado para o Canal Contemporâneo:


De Olívia para Lalau:
E fiquei em dúvida se envio o texto que fala sobre o Derrida.
Lalau, vc não gostaria de escrever alguma coisa?

De Lalau para Olívia:
Eu? Escrever sobre o Derrida? Tá louca? A nossa especialista em Derrida é você! E a Tina também...
Eu gosto mesmo é das coisas bem decididas. Acho que os indecidíveis existem só no abstrato (numa visão que abranja tudo de uma vez, impossível para um simples mortal...como eu). Um simples mortal como eu, vendo alguma coisa, acaba tomando partido e decide "é pau" ou "é pedra".
Ou então fica bem caladinho, se não conseguir decidir por um ou outro... vai escutar o que os outros estão dizendo e decidir, se não entre as coisas, entre os outros...
Eu não consigo me decidir, por exemplo, a ler o Derrida direitinho. Até li aquela história da farmácia, o livro praticamente quase todinho... Mas continuo gostando mais de Guimarães Rosa: "Sou um homem ignorante. Gosto de ser. Não é só no escuro que a gente percebe a luzinha dividida?"; "Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."
E, finalmente, como um gran finale em sua homenagem:
"Ser chefe - por fora um pouquinho amarga; mas, por dentro, é rosinhas flores".
Agora vou dormir, porque "... em roda de fogueira, toda conversa é miudinhos tempos".
Eu decido: Amo o Guimarães Rosa! (mas olhando de longe ele continua indecidível prá muita gente...)

De Olívia para Lalau:
... o indecidível é decidido a cada vez. O secador de garrafa que tem na pia do Fajardo não vale muitos $, não é arte. O do Duchamp no museu vale $$$$$$$$$$$, é arte. Mas para nós e para quem conhece o trabalho do Duchamp, quando olhamos o secador de garrafas do tio Fajardo, somos deslocados para o do museu e vice-versa: quando olhamos um ready made caríssimo, ele não está absolutamente separado daquilo que compramos no super mercado. Isso é muito diferente (são reflexões que surgiram depois da guerra, eram bem revolucionárias) do que dizia a estética tradicional, que afirmava que arte era absolutamente separada da vida. Para o Derrida, você decide a qualquer momento, mas arte pode ser examinada a partir dessa noção de indecidível, algo que é 'contaminado' (ele gosta tb de vírus) por seu oposto, vc fica indecisa, em um primeiro momento, entre remédio e veneno quando lê sobre o farmakon (mas vai decidir que é veneno e não tomar, por exemplo). Derrida desconstrói as dicotomias (sujeito/objeto; arte/não arte; fora/dentro, etc.) sempre em dois movimentos: primeiro faz uma inversão (e vai complicar a separação entre arte/não arte e depois ele vai criar outra forma de examinar essa relação) e essa noção de indecidível é de grande ajuda e está emaranhada com as outras reflexões derridianas...

De Lalau para Olívia:
É isso aí. Derrida não é um simples mortal como cada um de nós. Ele examina lá de cima, vê todos os lados, vê o indecidível que paira sobre tudo... Nós, simples mortais, encaixotamos as coisas em "és" e "não és", vemos o secador de garrafa como arte ou não arte dependendo do quanto conhecemos sobre a história da arte... Esta simples mortal aqui consegue ver "A Fonte" do Duchamp como Arte porque vê o gesto atrevido de Duchamp na sua época lá dele, questionando a história da arte até então... os urinóis posteriores deixam de ser "A Fonte" porque não passam de simples repetição do gesto duchampiano e imitação não é criação, portanto, não é Arte (por mais que se paire acima, acho que não dá pra dizer que a Arte imita, dá?)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

ESCULTURA QUE NÃO DEU CERTO circulando na ESAMC


Por falar em arte...


Imperdível - Kurt Schwitters na Pinacoteca!

Por falar em arte...

Gente, ainda há tempo para ver a exposição do Kurt Schwitters, com trabalhos maravilhosos e montagem impecável. Já conhecia este artista, do início do século 20 que foi contemporâneo de Duchamp, através de livros e de outras exposições. Tinha visto uma versão da Merzbau (Merz, ele tirou da palavra Commerz e bau quer dizer construção) na Alemanha (a original foi destruída em 1943 durante a Segunda Guerra Mundial), assim como outros trabalhos seus. Mas esta exposição na Pinacoteca está especial pois mostra todas as facetas deste grande artista que navegou nos vários gêneros e técnicas, incluindo Dadaismo, Constructivismo, Surrealismo, poesia, som, pintura, colagem, escultura, artes gráficas e o que mais tarde veio a ser chamado de Instalação – Merzbau (o artista foi montando, aos poucos, com pedaços de madeira, objetos encontrados e pintura, essa construção que crescia dentro de seu estúdio (ou ateliê?). Vocês terão a chance de ver a réplica da Merzbau nessa exposição e ter mais informações sobre a obra deste grande artista. E, como não podia deixar de dizer, em especial: os retratos feitos por Kurt Schwitters (para se manter nos EE.UU) me deixaram apaixonada.

Sílvia Matos


As imagens, eu tirei do Catálogo da Exposição Dada y Constructivismo no Centro de Arte Reina Sofía, Madrid em 1989.

O título é: La catedral de la Miseria Erótica, Merzbau I (copiei como estava no catálogo).

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Encucações do Antropoantro - O que é Arte?

Estávamos guardando o diálogo de e-mails para postagem posterior, mas hoje saiu um artigo muito interessante no jornal Folha de São Paulo, assinado por Luciano Trigo (Caderno Ilustrada, página E7), sob o título É de fama e dinheiro que se trata a arte?. Consideramos que nossa "conversa" (datada de setembro/2007) vem a calhar.

De Lalau para o grupo:
Não sei se vocês receberam um convite para uma exposição na Unicamp. Junto veio um release, do cara que organiza a exposição. Li o release e fiquei pensando se arte contemporânea é esse palavrório todo - para dizer a verdade, não entendi patavinas do que são os trabalhos. Acho que só indo ver mesmo, para ter idéia. Será que arte precisa explicação? Ou arte é algo que se vê, se sente, mexe de alguma forma especial com a gente (mesmo em termos de gostar/não gostar)? Há alguns trabalhos de "arte contemporânea" que têm que ser tão explicados que eu fico na dúvida se serão mesmo algo que mereça ser considerado arte. DIGAM ALGUMA COISA!

De Sílvia para o grupo:
Eu recebi. Comecei a ler e logo desisti. Para mim palavreado “difícil” é para se sentir superior. Poucas pessoas entendem e as outras se sentem “burras...“ Realmente, se a gente tem que explicar muito fica como “A Palavra Pintada” de Tom Wolfe. Há mais de 15 anos atrás ele já criticava esse tipo de coisa.

De Olívia para o grupo:
Lalau, a questão que vc levantou (a obra de arte dispensa comentários? fala por si própria?) me interessa sim, o que está 'fora' (inclui os textos, os comentários dos críticos e do espectador, o seu valor venal, etc) e o que está 'dentro'? é o que o Derrida (sorry, atualmente não sei - nem posso - pensar sem o tio Jacques) chama de lógica do parergon ('para' significa fora, ao lado, etc. E 'ergon' significa obra). É justamente o primeiro ensaio do livro que eu estou traduzindo. A questão para ele é ligada ao fato de que nossa cultura ainda pensa por dicotomias (fora/dentro, por exemplo, é outra maneira de dizer sujeito/objeto, o sujeito estaria absolutamente separado do objeto, do mundo, e poderia falar sobre ele com neutralidade, clareza, etc.Poderia afirmar sem equívoco : isto é arte, ou isso está dentro ou fora da arte) Como vc vê, inclui a questão da linguagem (estaria ela 'fora' da obra?). Para o Derrida, devemos nos aproximar de alguma coisa com uma multiplicidade de pontos de vista, e não ficarmos somente em oposições. A complexidade da arte não pode ser 'emoldurada' em simples 'sujeito/objeto', 'é arte/não é arte'. Com Duchamp, acho eu, essa questão fica bem colocada em termos não-filosóficos (???? mas o que estaria dentro e fora da filosofia?): o espectador sp foi considerado 'fora' da obra, ele simplesmente contempla, retira da obra os significados que o autor colocou ali dentro. A obra fala por si própria e nós escutamos, não precisa de texto, comentários, etc. Se, como quer Duchamp, o olhar do espectador faz a obra (a linguagem constrói o objeto para o sujeito) então não há um limite bem demarcado entre o sujeito e a obra. Os limites entre o mundo e a arte ficam 'tremendo', e levanta outras questões, como o mercado de arte, o papel da galeria, etc... Tenham paciência, acho que preciso de interlocutores da minha tese e vocês estão aí pertinho (falta de orientador dá nisso)

Lalau voltou a escrever:
Continuo encucada com essa questão arte/não arte. Porque se tudo pode ser tudo (se não há dicotomias), então nada também é nada e plantar batatas pode ser arte (não que não possa vir a ser). Considerando justamente o espectador como participante constituidor da obra de arte, como alguém que constitui sentido de alguma coisa (o efeito da obra em alguém - não estou pensando no merdado (veja o ato falho, escrevi "merdado" em vez de "mercado", deixo o registro porque ele significa) da arte, porque mercado de arte pode significar simplesmente lavagem de dinheiro, compro algo porque um "crítico de arte" - claro que "valorizado" pelo mercado, porque também existem os "desvalorizados" - decreta que "este artista vai valorizar" e eu quero fazer render meu dinheiro... essas coisas. Estou pensando no efeito da obra em "mim", sujeito (com uma história, constituído pela história de suas interações com o mundo e os outros) que vê a obra e que "sofre" um efeito dela, que gostaria de tê-la pensado antes (tem inveja; e não é de toda obra que temos inveja, né?), ou que gostaria de tê-la por perto porque ela significa para ele. De tudo que há no "mercado", oferecido como "arte", nem sempre algumas coisas me parecem merecedoras do título... eu as chamaria de outros "nomes" (sei lá, "joguinhos de computador", "video-documentários", "brincadeiras"...).
E eu não acho que linguagem seja "sistema", "estrutura fechada de oposições dicotômicas", mas "quasi-sistemas" sempre em aberto. Daí que eu não encaixava Duchamp como artista (ainda acho que Duchamp era um grande gozador da arte que o precedeu ou melhor, dos "críticos" que ditavam as regras do que era "arte" naquele momento) mas agora posso considerá-lo como tal porque as ações dele passaram a fazer sentido para mim, ele colocou questões importantes em jogo, inovou, criou.
Mas o que estou questionando sobre o "release" da exposição não é a existência do "release", mas a linguagem que parece só um palavrório que nada me diz sobre os trabalhos que lá estarão... Não sei se vendo os trabalhos aquele texto passará a dizer alguma coisa. O "release" não me apresenta os trabalhos, não me motiva a ver a exposição (a não ser como uma espécie de "tira teima". As obras podem ser muito mais interessantes que o texto! Aquele texto para mim NÃO DIZ! E eu não posso considerá-lo parte da obra mostrada).
Eu gostaria de ver esse texto que você está traduzindo do Derrida.
Beijos (ando com uma tendência a polêmicas... até parece que estou escrevendo tese...)

Uma notinha acrescentada depois:
Fomos ver a exposição. As obras, sim, eram muito boas! Gostamos de vê-las! E o tal texto continuou dizendo absolutamente nada!!!

Se a sra. Ono tivesse nos chamado...


Estão vendo o que ela perdeu?
O azar é todo dela!

Por que ela não chamou a gente?






Entrevistada antes de fazer sua apresentação recente no Teatro Municipal de São Paulo, Yoko Ono disse que não podia adiantar nada à reportagem da Folha de São Paulo: "se eu disser como é (a performance), porque deveria realizá-la?". A entrevista foi publicada no dia oito de novembro, mesmo dia da apresentação.



Pois é. Se o Antropoantro conhecesse as intenções dela, poderia ter sugerido a participação da "Escultura que não deu certo", para dividir o palco com a Sra. Ono e seus lamentos em volta das fotos projetadas no telão. Esse "elemento cênico" poderia sentar-se na cadeira situada no palco e interagir com ela, preenchendo vários momentos constrangedores e vazios de sua apresentação ...

Texto e fotos de Vane Barini






domingo, 18 de novembro de 2007

Beijo Cambojano e Beijo Brasileiro (ou campineiro?)


Cambojana paga multa de 1.500 euros por ter beijado quadro - Yahoo! Notícias http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/071116/mundo/fran__a_cultura_arte

Pois é minha gente, há 11 anos atrás, em 1996, na XXIII Bienal de São Paulo, foi encontrado baton num torso nu, obra do artista Andy Warhol e a Bienal teve que arcar com os custos da restauração. O mais interessante é que no período da exposição, estava eu numa aula de hidroginástica quando o professor contou um fato engraçadíssimo, segundo ele: um médico psiquiatra de Campinas, aluno dele, havia levado algumas pacientes para ver a Bienal. Uma delas, muito entusiasmada, deu um beijo no nu masculino, obra do Warhol (não sei qual foi - era uma série de vários nus masculinos e, se não me engano, alguns eram frontais, daí o entusiasmo da paciente). Mas, por sorte, o guarda não havia visto. Este fato foi contado bem antes do término da Bienal e de o jornal noticiar o “estrago” na obra. Por essa razão, para mim esse fato foi verdadeiro.




No caso da cambojana, que é uma artista, diz ela que o Cy Tombly deixou a tela branca para ela beijar. Agora fica a dúvida, pode-se considerar esse fato uma intervenção artística ou um ato de vandalismo? Consultem http://badatsports.com/2007/cy-twombly-gets-the-kiss-of-death/


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A imagem eu tirei do Caderno 2 do Estado de São Paulo, do dia 3 de outubro de 1996
A legenda dizia: “Torso” de Warhol: o corpo segundo a arte pop.

sábado, 17 de novembro de 2007

Olívia Niemeyer fala d´A escultura que não deu certo

Nesta foto, nosso Homem de Plástico serve de modelo "vivo" no Instituto Tomie Okhtake

A ‘escultura que não deu certo’, acompanhada pelas artistas do grupo Antropoantro, circula, despreocupadamente, pela cidade de Campinas. Uma obra que não tem lugar demarcado em nenhuma instituição, não tem vida longa - como acontece com uma estátua em mármore ou bronze -, não tem, nem mesmo, o intuito de transgredir violentamente, mais uma vez, critérios estabelecidos pela tradição em artes plasticas. Ele, o boneco, passeia simplesmente, convive com os humanos, visita museus (como convidado ou penetra), anda de ônibus, senta e conversa com estudantes, participa de cursos de arte. E tira férias, conhece outras cidades e outros países.
Mas o que está fazendo o grupo Antropoantro com esse homem (será um homem?) de plástico? Com “Circulações”, essas artistas escolhem aproximar a arte da vida, na contramão da tendência elitista da nossa época que corre o risco de arrastar a obra de arte para uma complexidade que poucos podem apreciar. Valorizam e redefinem, desta forma, os acontecimentos do dia a dia, lançam um olhar descompromissado para as instituições de arte, propõem ao público experiências sensíveis e estimulam esse público a expressar sua opinião sobre arte. O boneco não “representa” um momento da vida, ele coloca em cena, apresenta.

Seu material é frágil e o boneco, como os humanos, envelhece, exige cuidados constantes em seu manejo e descanso. Não é um objeto que agrega valor com o passar do tempo, ele perde seu brilho, cria rugas, seu deslocamento fica mais problemático. Daí a importância de sua documentação por fotos, vídeos e depoimentos escritos.

Nova recomendação do Antropoantro


Acabamos de saber que existe um site do governo brasileiro que disponibiliza uma Biblioteca Digital. Um lugar virtual onde se pode ver pinturas, fotografias, videos etc e que põe à disposição do público cerca de 700 obras de literatura portuguesa, além de música em MP3.
Mas, como nada é perfeito e o que não dá lucro acaba sendo abandonado, este site está para ser desativado por desuso, porque o número de acessos é considerado baixo! O Antropoantro recomenda que se divulgue e consulte o site
Já testamos, vendo obras de Van Gogh... Funciona!
Vamos tentar reverter esta situação e salvar uma fantástica ferramenta de disseminação da cultura e formação do gosto. Uma ferramenta muito útil, principalmente para professores, não acham? Claro que visitar museus e bibliotecas é o mais importante, mas para quem não tem condições o acesso a obras e museus virtuais já ajuda...
Divulgue para o máximo de pessoas!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O Antropoantro recomenda


Neste feriado prolongado o Antropoantro recomenda um passeio virtual por algum destes museus:



Estados Unidos - http://www.metmuseum.org/
Estados Unidos - http://www.tamu.edu/



Agora, estes ficam no Brasil mesmo. Quem sabe, depois de ver o site, você não vai visitá-los ao vivo?


MUSEUS NO BRASIL


Vale a visita em dois museus: Castro Maia - Açude e Chácara do Céu - são dois primores. O do Açude tem uma localização bucólica, porcelanas da Cia das Ìndias, Debrets... O da Chácara do Céu, em Santa Tereza, nem parece pertinho do Centro do Rio


Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro - www.mamrio.com.br/

De linhas retas, jardins de Burle Marx, temAnita Malfatti, Di Cavalcanti, Portinari...

Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro - www.mnba.gov.br/

Prédio em estilo renascentista. Tem Victor Meireles, Rodolfo Amoedo, Almeida Jr. Eliseu Visconti. Coleção de barrocos italianos e oito obras de Franz Post.

Museu Imperial - Petrópolis/RJ - www.museuimperial.gov.br/

Imperdível. Tem até espetáculo de "son et lumière" duas vezes por semana.
São Paulo

Museu de Arte de São Paulo - São Paulo - http://www..masp.art.br/

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Bom passeio!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Extra! Extra! Intervenção da Faxineira

Pois é, nós nos esforçamos para tornar a arte pública, além de trabalharmos nos espaços culturais. Mas, minha faxineira resolveu fazer uma "intervenção" por conta própria (talvez imbuída pelos "fluidos artísticos" que correm durante as nossas reuniões):pegou 2 sacolas de papel, cheias, uma de catálogos e outra de postais do Grupo Antropoantro que estavam na minha sala de estar e colocou na rua como lixo para reciclar. Isso porque esta nunca foi a função dela. Meu marido e eu cuidamos disso. Agora deliro acordada, vendo um desses catadores de lixo reciclado distribuindo nossos postais e catálogos para todos seus companheiros e alguns até levando para casa para mostrar para a família e, talvez por um desses acasos do destino, outros irão preencher o vazio do segundo andar da próxima Bienal.
Ântropa xpt

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Antropoantro no Cubo Branco



Nossa exposição Antropoantro no Cubo Branco (31/07 a 16/09 no MACC) rendeu até poema:

Imaginando
(Para Lalau, por ocasião da Exposição Dentro do Cubo Branco)

Não vi os cubos,
Nem a grande trança da moça pendendo
do teto ao chão.
Vi o homem transparente, apaixonado por moças e
jogo de damas.
Dos cubos grafinhados não vi os mafagafos, nem vi os mafagafinhos.
Me comovo ante os ex-votos, mesmo negando o milagre
dos peixes e do pão.
(Ah! os noivos de Canaã...)
Não vi as cortinas do casarão em forma de trança, mafagafadas.
Vi em fotografias bichos. Pendentes, humanos em forma e dor,
em riso e escárnio puro.
Vi os dedos da moça, feridos,
trançando formas no arame
com a mesma alegria que no domingo
rega a horta: “ora pro nobis”,
a sálvia, a losna, a couve, o alecrim


José Miguel Rasia
2/08/07

domingo, 11 de novembro de 2007

Nossa contribuição para o Salão de Piracicaba



Essa foi a nossa contribuição para o Salão de Piracicaba. Como sempre fomos muito bem recebidas e parece que gostaram da contribuição.

A Escultura que não deu certo... ataca novamente

Para enfeitar esse domingo, aí vai nossa Escultura que Não Deu Certo, em desenho de Sílvia Matos: E em fotografia feita no Ateliê de Criatividade Sílvia Matos:
Ela não é uma gracinha?

sábado, 10 de novembro de 2007

O Antropoantro em Piracicaba

O Antropoantro não poderia faltar à abertura do 39º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba!
Estivemos presentes, representadas por alguns membros do grupo, à concorrida abertura do Salão, na noite do dia nove de novembro.
Belos trabalhos, vale a pena ver! O Salão fica aberto até o dia 11 de dezembro e acontece na Pinacoteca Municipal “Miguel Dutra”.
O Antropoantro cumprimenta a amiga e artista campineira Paula Almozara pelo Prêmio Aquisitivo Câmara Municipal. Parabéns, Paula!

A Escultura que não deu certo repousa na ESAMC



O Grupo Antropoantro

O grupo Antropoantro é formado por artistas residentes e atuantes na cidade de Campinas e no distrito de Barão Geraldo. Este grupo se reuniu, inicialmente, para participar de Seminários conduzidos por Carlos Fajardo , a partir de 1999, no Sílvia Matos Ateliê de Criatividade.
Em 2001, o grupo assumiu o nome de Antropoantro para a exposição Kairós, uma off-Bienal em São Paulo, que se transformou em uma mostra itinerante, tendo sido apresentada também em Piracicaba e Campinas. Os componentes do Grupo Antropoantro vêm-se mantendo com pequena flutuação de seus membros.
A partir de 2004 os membros do Antropoantro fixaram-se: Beth Schneider, Inês Fernandez, Lalau Mayrink, Olívia Niemeyer, Sílvia Matos, Tina Gonçalez, Vane Barini e Walma Lina. Estas artistas reúnem-se semanalmente, no Sílvia Matos Ateliê de Criatividade, nas tardes das terças-feiras, para atividades conjuntas e discussões de questões que dizem respeito à Arte Contemporânea.
Desde o final de 2005 o grupo tem-se reunido, mensalmente, com o artista plástico paulistano Albano Afonso, para discussão de projetos coletivos e individuais.
O grupo Antropoantro tem organizado exposições de trabalhos coletivos, como o site-specific Entre mostrado pela primeira vez em dezembro de 2004; as “Circulações d’A escultura que não deu certo” durante o ano de 2005; e as Ocupações, de 2006 e 2007, em que trabalhos individuais de membros do grupo foram trazidos a público em locais alternativos (ESAMC, Casarão de Barão Geraldo, Espaço Cultural da Escola Comunitária), culminando com a Ocupação de uma instituição de arte, o Museu de Arte Contemporânea de Campinas, com uma obra que articula um projeto coletivo (Antropoantro no Cubo Branco) e trabalhos individuais.

A preocupação do grupo, de questionar a arte e os espaços que ela ocupa ou pode ocupar, bem como o papel das instituições voltadas especificamente à promoção da Arte, mostra-se com clareza para quem vem acompanhando o trabalho do grupo Antropoantro desde seu início. Um grupo de artistas que, para ter o direito de fazer e mostrar sua arte, trabalha junto e junta esforços, inclusive financeiros, para brigar por um lugar ao sol.



Antropoantro chegou

Campinas, 10 de novembro de 2007

Estamos inaugurando o Blog do Grupo Antropoantro!
Um espaço para fotos, notícias, comentários, discussões sobre Arte Contemporânea...
Um espaço para o Antropoantro mostrar a que veio.
Nós, as Ântropas, queremos dividir com os freqüentadores deste Blog, nossas idéias e impressões do mundo da Arte Contemporânea, nossas dúvidas e gostos, nossos links favoritos, nossas invejas, nossos trabalhos coletivos e individuais.
No Antropoantro, cada uma é uma e, juntas, somos impossíveis, imprevisíveis, guerreiras... o que mais?
Não tem espaço para expor? A gente inventa...
Não nos aceitam? A gente vai assim mesmo, se impõe...
Tem sido assim desde que nos assumimos como um grupo. Abrir caminhos! Batalhar por um lugar ao sol.
Viver é muito perigoso, já dizia o Riobaldo do Guimarães Rosa. Mas quem não belisca, não petisca, já diziam as nossas mães...
A união faz a força, uma mãozinha lava a outra e juntas batem palmas...
O que é arte?
O que é Arte?
Onde está a Arte?
Só nos museus e galerias? Ou nos locais sagrados e consagrados?
A gente inventa, a gente faz, a gente cria, a gente não aceita rótulos e prisões/controles, a gente se diverte.

... Mas a liberdade – aposto – ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no dentro do ferro de grandes prisões. Tem uma verdade que se carece de aprender, do encoberto, e que ninguém não ensina: o beco para a liberdade de fazer.
(Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas)